Uma pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra um cenário preocupante em todo o País. Isso porque foi constatado um déficit de 850 Km de malha ferroviária. O estudo Transporte e Desenvolvimento: Transporte Metroviário de Passageiros foi realizado em 13 regiões metropolitanas que concentram mais de 20 milhões de habitantes. A pesquisa incluiu as linhas de trem 11-Coral e 12-Safira, que cortam as cidades da região. Segundo a pesquisa, em todo o país, só a malha total de metrô medida em 2015 alcançou 309,5 Km, extensão inferior a registrada em cidades como Londres (402 Km) ou Tóquio (310 Km). Além de pouco extensa, a malha existente está praticamente concentrada na Região Sudeste. A área metropolitana de São Paulo e Rio de Janeiro detêm mais de 60% do total do sistema de trilhos do País. Em número de passageiros, a Região Metropolitana de São Paulo tem 90%, o maior percentual. Já o Centro-Oeste registra 1,7%, o menor percentual. Apesar de o Estado ter uma malha ferroviária considerada grande em comparação com outras regiões do País, a extensão dela demora para sair do papel. A próxima entrega deve ser da Linha 13-Jade, que vai levar os passageiros ao aeroporto de Guarulhos. A CNT informou que para atender a demanda, o Brasil precisa ampliar pelo menos 80% sua malha metroferroviária. De acordo com o levantamento, para cobrir o déficit da malha metroferroviária é necessário investir cerca de R$ 167,13 bilhões em infraestrutura. Os dados da CNT mostram, contudo, que a curva de investimentos feitos em sistemas de transporte metroferroviário no país praticamente não cresceu, de 2010 a 2015, período em que população nas grandes cidades aumentou 6,2%. Em cinco anos, o sistema metroferroviário brasileiro expandiu apenas 6,7%, enquanto que a frota de transporte individual cresceu 24,5%. O estudo aponta ainda que, em 2015, o governo gastou 26,2% do total de recursos autorizados para os estados que possuem sistema metroviário. Segundo a pesquisa, o investimento no setor de transporte sobre trilhos, em 2015, contou com 5% de participação direta do governo federal, 62% dos governos estaduais, 9% dos governos municipais e 24% do setor privado. Esta pesquisa é importante para que haja um norte de quais projetos são mais importantes para serem feitos. Com isso, os governos podem verificar onde existe maior déficit e programar aumento da malha ferroviária.