Prefeitos que assumiram seus cargos no último domingo para o mandato 2017/2020 tiveram o mesmo discurso: vão cortar gastos. A economia será de “guerra” com cortes até na distribuição de cafezinhos. Em todo o País, os novos prefeitos tomaram posse em meio à maior crise financeira enfrentada por municípios e Estados nos últimos anos. A grave situação dos governos municipais motivou discursos com promessas de corte de gastos, principalmente, via redução de cargos. Todos os prefeitos afirmam que a ordem é a seguinte: é proibido gastar. O anúncio sobre a redução do número de secretarias e de cargos de comissão nas prefeituras também é outro ponto fundamental neste início de ano, quando se iniciam os mandatos. Só para se ter uma ideia, em Belo Horizonte (MG), o prefeito Alexandre Kalil (PHS) afirmou que pretende governar abrindo mão de “gastos desnecessários” e pediu “juízo” aos vereadores também empossados. Segundo ele, é necessário “governar abrindo mão de cargos, abrindo mão de emprego, abrindo mão de gastos desnecessários, levando remédio para o povo”. O pensamento é igual a praticamente todos os administradores que assumiram seus cargos. A crise nos municípios se agravou em 2016, com a queda na arrecadação de impostos e o aumento de gastos com pessoal. No início de dezembro, um relatório do Tribunal de Contas do Rio (TCE-RJ), por exemplo, apontou que nos primeiros seis meses do ano a arrecadação no Estado caiu cerca de 25% se comparada ao mesmo período do ano passado. Com menos recursos, o caixa estadual também repassou menos às prefeituras. Com o intuito de ajudar os municípios a fecharem as contas de 2016, o governo federal destinou, R$ 4,5 bilhões referentes à multa do programa de repatriação de recursos no exterior. O socorro foi pleiteado pelos prefeitos em fim de mandato. Em São Paulo, o prefeito João Doria (PSDB) não citou corte de despesas em seu discurso de posse, mas medidas nesse sentido já haviam sido anunciadas por ele. Em dezembro, o tucano falou em cortes de 30% em cargos comissionados, redução de 15 % dos contratos, de 35% das despesas de custeio, além de enxugar o número de secretarias de 27 para 22. A situação dos municípios do Alto Tietê não é diferente das grandes cidades. O problema existe. São falta de recursos, dificuldades para honrar, inclusive, pagamento de funcionários públicos. O corte também será adotado em todas as cidades da região. Os próximos prefeitos terão de ter muito “jogo de cintura” e criatividade para tentar buscar uma solução para que os investimentos não faltem e que os compromissos sejam honrados.