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Editorial

Agora é a febre amarela

24 janeiro 2017 - 07h00 Por Gabriely Machado
Agora é a febre amarela

O País passou a se preocupar com mais uma doença grave: a febre amarela. É uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por vetores artrópodes, que possui dois ciclos epidemiológicos distintos de transmissão: silvestre e urbano. Reveste-se da maior importância epidemiológica por sua gravidade clínica e elevado potencial de disseminação em áreas urbanas infestadas por Aedes aegypti. O Estado de São Paulo confirmou, desde o início deste ano, três mortes por febre amarela, nas cidades de Américo Brasiliense, Batatais (ambos autóctones, adquiridas no próprio estado) e Santana do Parnaíba (caso importado, pois a vítima havia viajado para Minas Gerais). As informações foram divulgadas ontem pela Secretaria de Estado da Saúde. Outras três mortes, que estão sendo investigadas pela secretaria, de pessoas que voltaram de Minas Gerais com sintomas da doença, também podem ter ocorrido por febre amarela. Além desses óbitos, existem sete pacientes em todo o Estado com suspeita de terem contraído a febre amarela. No final do ano passado, um homem de 52 anos morreu em Ribeirão Preto, no interior do Estado, com diagnóstico confirmado de febre amarela. Ele ficou quatro dias internado e morreu no dia 26 de dezembro. O homem morava próximo a uma região de mata, onde vivem macacos hospedeiros do vírus. A suspeita é que espécies silvestres do mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, possam ter infectado a vítima. Em abril do ano passado, outra pessoa também teve a morte confirmada no município de Bady Bassit, no interior paulista. O local de infecção dessa vítima foi uma área silvestre, chamada de Mata dos Macacos, no município de São José do Rio Preto. No Instituto Emílio Ribas, na Capital paulista, hospital referência em infectologia, houve expressivo aumento da procura por vacinas contra febre amarela. A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. É importante que as pessoas entendam que, quem vive ou viaja para as áreas de risco deve se vacinar. A vacina está disponível na rede pública e deve ser tomada 10 dias antes de viagens para as áreas de risco, que são basicamente áreas de floresta e zona rural. A vacina tem efeitos adversos e não pode ser tomada por pessoas com doenças imunológicas, que estão tomando remédios que possam afetar o sistema imune, gestantes, menores de 6 meses e idosos acima de 60 anos. Desde 1942, não há registro de transmissão urbana de febre amarela no Brasil. O risco de uma volta da transmissão urbana é teórica, mas existe. O país registrou ciclos silvestres de transmissão em 2003, 2008 e 2009. É preciso ficar alerta.