O Brasil enfrenta uma série de desafios para combater a fraude e a corrupção nas organizações públicas. Os mais variados órgãos e entidades e das três esferas e dos três poderes se esforçam para melhorar a administração pública, em especial os serviços prestados à população. É preciso reconhecer a fraude e a corrupção como grandes obstáculos ao progresso social do País. Muitos especialistas afirmam que é necessário um salto de qualidade na governança e gestão pública por meio da redução dos níveis de fraude e corrupção para patamares de países desenvolvidos. Quem estuda o assunto aponta cinco mecanismos de combate à fraude e corrupção: prevenção, detecção, investigação, correção e monitoramento. Cada mecanismo é associado a um conjunto de componentes que contribuem direta ou indiretamente para o alcance do seu objetivo. Hoje, o que vemos é que a corrupção não é restrita aos vilões e na vida real dificilmente alguém é exclusivamente bom ou extremamente mau. O mesmo cidadão que esbraveja sua indignação com a corrupção e diz não acreditar mais nos políticos também fura uma fila, suborna um guarda, dá uma “gorjeta” para um funcionário público para levar uma vantagem ou busca um parlamentar para pedir favores. E muitas vezes encara essas atitudes com normalidade. Com a mesma naturalidade os governantes encaram desvios de verba e obras superfaturadas. No final de semana, Suzano foi surpreendido com um caso de fraude. A cidade abriu uma sindicância para investigar a conduta de um servidor público que, até então, cuidava da administração dos cemitérios municipais São João Batista e São Sebastião. O DS trouxe a reportagem na edição de domingo e mostrou que após um período de investigação interna uma ação conjunta coordenada pela Controladoria Geral do Município e pelas secretarias de Segurança Cidadã, Administração e Planejamento e Finanças constatou fraude no recolhimento de taxas. A suspeita é que o funcionário recebia do contribuinte os pagamentos, para sepultamento e exumação, por exemplo, e não os repassava ao Tesouro. Um Boletim de Ocorrência (B.O.) foi registrado como peculato no DP Central. O servidor de carreira está na Prefeitura de Suzano há 18 anos. Neste período, passou por várias funções, como coveiro e supervisor. Mais recentemente, era responsável pela administração dos dois cemitérios municipais. Segundo levantamento preliminar das secretarias de Administração e de Planejamento e Finanças, o montante devido pode ficar entre R$ 160 e R$ 170 mil. São recursos públicos que mereciam estar sendo utilizados em obras e melhorias para a cidade, que, com certeza, lamenta a prática. É preciso reconhecer que o caso foi imediatamente investigado e pode trazer novos desdobramentos. Os atos de corrupção devem ser combatidos para o bem comum.