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Editorial

Carnaval e os bilhões

07 fevereiro 2017 - 07h00 Por Gabriely Machado
Carnaval e os bilhões

Nenhuma cidade da região vai realizar neste ano os tradicionais desfiles das escolas de samba. As prefeituras decidiram economizar, uma vez que as escolas de samba ainda dependem do poder público para realizar a festa. Onde o Carnaval “anda com as próprias pernas” a situação é inversa. O rendimento de recursos com a realização da festa é bilionário. Escolas, como as do Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, se profissionalizaram há vários anos. Mantêm um trabalho social importante não somente na época do Carnaval e conseguiu trazer para as cidades o turismo. Só para se ter uma idéia, as atividades turísticas ligadas ao carnaval devem movimentar este ano aproximadamente R$ 5,8 bilhões, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento mostra que serviços de alimentação em bares e restaurantes vão responder por 57,3% da receita, o equivalente a R$ 3,31 bilhões. Apesar da expectativa, o volume de recursos movimentado no carnaval deste ano deve ser 5,7% menor do que o apurado no mesmo período do ano passado e o pior desempenho das atividades turísticas para esse período dos últimos três anos. O transporte rodoviário deve movimentar por R$ 977,9 milhões e os serviços de alojamento em hotéis e pousadas, R$ 652,5 milhões. Com o setor de bares e restaurantes, os serviços podem responder por mais de 85% de toda a receita gerada no período carnavalesco, considerado o maior feriado do calendário nacional. Segundo a CNC, se descontada a inflação, a queda real do faturamento será a maior dos últimos cinco anos, de 8,6%. Ou seja, a festa, uma vez patrocionada e profissionalizada, ainda pode trazer recursos por conta do turismo. O Rio de Janeiro é o estado que pode ter maior movimentação de recursos, com expectativa de circulação de R$ 2,4 bilhões, seguido de São Paulo, com R$ 1,5 bilhão e, juntos, devem concentrar 68,2% da receita do setor no período. Destacam-se as movimentações em Minas Gerais (R$ 332,7 milhões) e em três estados da região Nordeste, Bahia (R$ 308,7 milhões), Ceará (R$ 140,3 milhões) e Pernambuco (R$ 131,4 milhões). É evidente que não quer se comparar essas cidades tradicionais na realização do Carnaval, com qualquer uma outra do Alto Tietê. Mas, os números mostram que uma vez “pensando” a festa ainda pode ser lucrativa. As atividades turísticas que compõem o faturamento do turismo no carnaval de 2017 são alojamento, alimentação, turismo, esporte e lazer, agências de viagens, transporte rodoviário, transporte aéreo, transporte e locação de veículos. É importante que cada uma das escolas tentem buscar formas de patrocínio e recursos, sem depender diretamente do poder público, que garante que as prioridades são outras, como Saúde e Educação.