Uma das prioridades dos novos governos municipais é também de reduzir gastos públicos. A maioria das prefeituras está endividada com sérios riscos até de comprometer pagamentos com folha de salários de funcionários. Mas, ontem, um levantamento divulgado mostrou que os gastos com a manutenção da máquina pública caíram 2,6%, em 2016, na comparação com 2015, descontada a inflação do período em todo o País. Em valores reais (corrigidos pela inflação), o recuo chega a R$ 953,8 milhões, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Só para se ter uma ideia, a maior queda real foi registrada nos gastos com passagens, cuja despesa caiu 20,5% em termos reais em relação a 2015. Em segundo lugar, ficaram as despesas com materiais de consumo, com queda de 7,2% no período. Em terceiro lugar, estão os gastos com locação e conservação de imóveis, que teve queda real de 6,3%, em comparação a 2015, seguidos pelos gastos com serviços de apoio, com queda real de 5,8%. Por outro lado, os gastos com o item outros serviços – que engloba serviços bancários e de consultorias – cresceram 29,4% no ano passado. As despesas com diárias, por sua vez, aumentaram 17,2%. Os gastos com energia elétrica e água subiram 5,6% na comparação com 2015. O crescimento da despesa com diárias deve-se à realização de eventos como os Jogos Olímpicos Rio 2016 e aos deslocamentos da Força Nacional de Segurança. Divulgado a cada três meses pelo Ministério do Planejamento, o Boletim de Custeio Administrativo traz atualizações mensais das informações sobre as despesas para o funcionamento do governo agrupadas em oito itens: serviços de apoio, material de consumo, comunicação e processamento de dados, locação e conservação de bens imóveis, energia elétrica e água, locação e conservação de bens móveis, diárias e passagens e outros serviços. A queda nos gastos públicos ocorre também por uma imensa necessidade de as prefeituras adequarem os valores de seus orçamentos para honrar compromissos com pagamentos de serviços essenciais. Neste início de ano, a ordem, que é de reduzir custos, vem dando resultados, pelo menos, nesse momento. É importante, no entanto, que essa redução não venha atingir de forma direta a população que depende dos serviços municipais funcionando bem. Afinal, a população que paga seus impostos quer que os serviços sejam realizados.