A rebelião do presídio do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, no início do ano, deixou 56 mortos e chamou atenção para um problema de décadas: a situação do sistema carcerário brasileiro. A situação no País é grande e se estende até para os Centros de Detenção Provisória (CDPs), instalados em parte dos municípios do Estado de São Paulo. O DS publicou recentemente reportagem mostrando que o número de presos nos dois CDPs da região estão com capacidade duas vezes maior do que o ideal. Em todo o País, durante a crise nos presídios desde o início do ano, o saldo de mortos chegou a, pelo menos, 124 em apenas três presídios: o de Manaus; a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima; e a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal (RN). Os conflitos foram motivados pela briga de poder entre facções rivais. A população penitenciária do Brasil é a quarta maior do mundo, com 622 mil pessoas, segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen). O País está atrás apenas de Estados Unidos (2,2 milhões), China (1,6 milhão) e Rússia (644 mil). O Brasil tem uma taxa de mais de 300 presos para cada 100 mil habitantes, mais que o dobro da mundial (144 para cada 100 mil), conforme dados do Centro Internacional de Estudos Prisionais (ICPS, sigla em inglês). O preso brasileiro é, em sua maioria, homem (94%),jovem (55% têm entre 18 e 29 anos), negro (61,6%) e com pouca educação (75% têm até o ensino fundamental). Muitos especialistas garantem que o problema do sistema carcerário está relacionado aos crimes pelos quais as pessoas têm sido presas. O Brasil prende muito e prende mal, afirmam. Ou seja, o Brasil prende quantitativamente e não qualitativamente. Não há dúvida que é necessária a participação do Judiciário e das defensorias públicas para conseguir evitar que a prisão seja a solução para qualquer tipo de crime. Enquanto isso, a situação é grave e necessita urgentemente de providências a serem tomadas. O assunto merece muita discussão ouvindo toda a população para garantir uma tentativa de solução mais concreta para um problema considerado sério.