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Editorial

Crise no Tratamento de Esgoto

21 fevereiro 2017 - 08h00 Por Gabriely Machado
Crise no Tratamento de Esgoto

O Brasil não avançou o suficiente para garantir o saneamento básico ideal. Dez anos após a lei, que regulamenta o serviço, entrar em vigor no Brasil, metade da população do País continua sem acesso a sistemas de esgotamento sanitário. Segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgados em janeiro deste ano e referentes a 2015, apenas 50,3% dos brasileiros têm acesso à coleta de esgoto, o que significa que mais de 100 milhões de pessoas utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos – seja por meio de uma fossa, seja jogando o esgoto diretamente em rios. Os dados da região também estão sendo divulgados hoje em reportagem do DS. Apesar dos poucos avanços nacionais, Suzano, por exemplo, melhorou (leia mais na edição de hoje). Em 2007, em todo o País, quando a lei 11.445 foi sancionada, 42% da população era atendida por redes de esgoto. Até 2015, o índice aumentou 8,3 pontos percentuais, o que corresponde a menos de um ponto percentual por ano. Quanto ao abastecimento de água, apesar de a abrangência ser bem superior à de esgoto, a evolução foi ainda mais lenta: passou de 80,9%, em 2007, para 83,3%, em 2015, um aumento de apenas 2,4 pontos percentuais. Já o índice de esgoto tratado passou de 32,5% para 42,7%. No geral, o avanço foi muito pequeno no País, garantem especialistas. Dez anos para conseguir passar da metade da população em esgoto é muito pouco. A falta de saneamento adequado traz não apenas problemas sociais ao País, mas também ambientais, financeiros e de saúde, já que é um fator importante na disseminação de doenças. O saneamento é a estrutura que mais benefícios traz para a população. O ‘básico’ do nome não está ali à toa, é a estrutura mais elementar e a mais relevante. Por isso, a questão da melhora dos índices e da própria universalização se torna tão urgente na pauta do País, afirma. O saneamento básico é uma área que ainda tem grandes desafios a vencer, mas está recebendo uma grande priorização por parte do governo federal. Até agora, o Brasil conseguiu reduzir em 44% o número de internações hospitalares por doenças relacionadas ao saneamento inadequado, entre 2003 e 2013. Segundo os dados, nesse período, houve especificamente queda de 48,2% nas internações. Com o escopo de mudar a situação do saneamento básico no Brasil, o governo brasileiro instituiu o Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico), que consiste em um conjunto de metas e objetivos para transformar a realidade desse setor no país. Entre essas metas, encontram-se alguns dos Objetivos do Milênio, implantados pela ONU, que são: a) reduzir pela metade, até 2015, a proporção de habitantes sem acesso à água e ao saneamento básico; b) melhorar significativamente as condições de vida de 100 milhões de pessoas que vivem em bairros degradados até o ano de 2020. Por isso, é importante que todas as ações garantam o objetivo final de aumentar o índice de redes de esgoto com tratamento em todo o País.