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Editorial

Mulheres desempregadas

08 março 2017 - 08h00 Por Gabriely Machado
Mulheres desempregadas

A cada nova estatística divulgada no Brasil a comprovação é sempre a mesma: as mulheres sofrem mais do que os homens com o desemprego na Região Metropolitana de São Paulo, onde está incluído o Alto Tietê. Embora a falta de postos de trabalho atinja ambos os sexos pelo terceiro ano consecutivo, para elas, a taxa de desocupação passou de 14,3%, em 2015, para 18,3%, em 2016, a mais alta desde 2007. Entre os homens, a taxa passou de 12,2% para 15,5%, a maior desde 2005. A situação de dificuldades das mulheres atinge não somente o Brasil. As mulheres latino-americanas, por exemplo, ganham menos, mesmo que possuam um maior nível de instrução. Por meio de comparação simples dos salários médios, foi constatado que os homens ganham 10% a mais que as mulheres. Já quando a comparação envolve homens e mulheres com a mesma idade e nível de instrução, essa diferença sobe para 17%. Da mesma forma, a população indígena e negra ganha em média 28% menos que a população branca de mesma idade e nível de instrução. Uma das conclusões do estudo é de que a diferença salarial étnica poderia ser reduzida em quase um quarto com a melhora dos níveis de instrução dessa população. Os dados, divulgados ontem, abordam a inserção da mulher no mercado de trabalho e compõem a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de São Paulo (PED-RMSP), realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e parceiros regionais. As mulheres representam um pouco mais da metade do total de desempregados da Região Metropolitana de São Paulo (51,1%, em 2016), segundo a pesquisa. A taxa de desemprego das mulheres é, tradicionalmente, superior à dos homens. A diferença entre os segmentos em 2016 foi de 2,8 pontos porcentuais e voltou a crescer. Em 2015 foi de 2,1 pontos percentuais. A pesquisa mostrou também que a presença de mulheres no mercado de trabalho permanece praticamente estável, entre 2015 e 2016, ao passar de 55,4% para 55,3%. Segundo a pesquisa, essa taxa vem mostrando poucas alterações nos últimos anos, após crescimento observado principalmente na década de 1990. O comportamento da taxa de participação das mulheres foi diferenciado segundo atributos pessoais, destacando-se o aumento de participação de mulheres casadas, de não negras e de jovens de 16 a 24 anos. O nível de ocupação diminuiu em todos os setores de atividade, assim como a formalização do trabalho.