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Editorial

Acima do peso

18 abril 2017 - 08h00 Por Gabriely Machado
Acima do peso

A obesidade é mais do que um problema com a aparência, é um perigo para a saúde. Milhares de mortes relacionadas à obesidade acontecem todos os anos. Vários problemas médicos graves têm sido relacionados à obesidade, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardíacas, pressão alta e infarto. O problema também está relacionado a maiores taxas de certos tipos de câncer. Homens obesos têm maior probabilidade de morrer de câncer de cólon, reto ou próstata. Mulheres obesas têm mais chances de morrer de câncer de mama, útero e ovários. Ontem, estudo divulgado do Ministério da Saúde revelou que o excesso de peso no Brasil cresceu 26,3% nos últimos dez anos, passando de 42,6% em 2006 para 53,8% em 2016. De acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), o problema é mais comum entre os homens: passou de 47,5% para 57,7% no período. Já entre as mulheres, o índice passou 38,5% para 50,5%. Segundo o estudo, Rio Branco é a capital brasileira com maior prevalência de excesso de peso: 60,6 casos para cada 100 mil habitantes. Em seguida estão Campo Grande (58/100 mil habitantes), Recife, João Pessoa e Natal (56,6/100 mil habitantes) e Fortaleza (56,5/100 mil habitantes). Já Palmas é a capital brasileira com a menor prevalência de excesso de peso (47,7/100 mil habitantes). O levantamento revela que, no Brasil, o indicador de excesso de peso aumenta com a idade e é maior entre os que têm menor grau de escolaridade. Nas pessoas com idade entre 18 e 24 anos, por exemplo, o índice é de 30,3%. Já entre brasileiros de 35 a 44 anos, o índice é de 61,1% e, entre os com idade de 55 a 64 anos, o número chega a 62,4%. Já na população com 65 anos ou mais, o índice é de 57,7%. Em relação à escolaridade, 59,2% das pessoas que têm até oito anos de apresentam excesso de peso. O percentual cai para 53,3% entre os brasileiros com 9 a 11 anos de estudo e para 48,8% entre os que têm 12 ou mais anos de estudo. De acordo com os dados, a prevalência de obesidade no País duplica a partir dos 25 anos e o problema também é maior entre os que apresentam menor escolaridade. Nas pessoas com idade entre 18 e 24 anos, por exemplo, o índice é de 8,5%. Já entre brasileiros de 35 a 44 anos, o índice é de 22,5% e, entre os com idade de 55 a 64 anos, o número chega a 22,9%. Na população com 65 anos ou mais, o índice é de 20,3%. É preciso se atentar para esses dados. Hoje, sabe que o brasileiro se alimenta de forma errada. De dez pacientes que entram nos consultórios, oito se alimentam incorretamente. Pior: muitas vezes, não são receptivos a novas orientações, sobre como ter uma dieta saudável no dia a dia. Por hábito ou pelo corre-corre dos brasileiros, muita gente acaba substituindo sucos naturais, cereais, proteínas e frutas, por refrigerantes, salgadinhos, batata frita e alimentos enlatados. Tanto que transtornos alimentares e obesidade passaram a ser um problema de saúde pública no Brasil.