A grande polêmica em torno da Reforma da Previdência em que se encontram em discussão regras sobre aposentadoria por idade e o grande temor de perdas de benefícios históricos coloca o governo federal em “xeque”.
Ontem, no entanto, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, antecipou em uma rede social o resultado de pesquisa do Ibope que aponta que 44% dos entrevistados responderam ser contrários à reforma da Previdência.
Para o governo, o percentual garante um “certo” apoio por parte da sociedade. Mas há quem duvide desse apoio.
Segundo o ministro, pela primeira vez, menos da metade dos entrevistados se posicionou contra as mudanças nas regras da aposentadoria. A pedido da Presidência da República, a pesquisa foi realizada entre os dias 25 e 29 de janeiro em âmbito nacional.
Para o governo, a pesquisa só mostra que as pessoas estão se convencendo, cada vez mais, de que a reforma acabará com os privilégios de quem ganha muito e trabalha pouco, além de garantir investimentos em saúde e educação. O pensamento, no entanto, ainda pode não ser totalmente esse. Existem muitas dúvidas sobre as regras, a necessidade de mais explicações em torno do tempo de aposentadoria.
De acordo com o ministro, 63% dos entrevistados concordam que as regras previdenciárias devem ser as mesmas para servidores públicos e funcionários privados.
Ou seja, para o governo, é igualdade de direitos para todos. A avaliação do governo federal sobre a melhora da percepção da sociedade é compartilhada por outros integrantes da base governista e da equipe da Presidência. Nos últimos dias, o Palácio do Planalto tem intensificado a comunicação sobre a proposta de mudança na legislação da Previdência. Entre as estratégias, está a participação do presidente Michel Temer em programas populares de televisão e rádio. O objetivo é tirar dúvidas sobre a nova versão da proposta, diminuir as críticas e atrair mais apoio dos parlamentares em torno da reforma, que pode ser votada ainda no mês de fevereiro no plenário da Câmara dos Deputados.
A campanha deve ser reforçada a partir da próxima semana, quando os parlamentares voltam a Brasília para o início do ano legislativo do Congresso Nacional. A expectativa é que o relatório da emenda constitucional que trata da reforma comece a ser discutido no plenário da Câmara a partir do dia 5 de fevereiro.
Reformar a Previdência pode ser uma necessidade para que o País consiga garantir o equilíbrio de suas contas, mas é importante também não trazer prejuízos ao cidadão comum que depende, por exemplo, de uma aposentadoria para viver.