Usar um telefone útil para fazer trote é muito sério. Um ato de irresponsabilidade. Pode colocar em risco a vida de outras pessoas. Pode ser que tenha uma ligação que realmente tenha a necessidade do serviço e não tenha ambulância para mandar, porque o atendimento foi prestado para uma ocorrência que é trote.
Na edição de ontem, o DS trouxe reportagem mostrando que o problema existe em Suzano com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O secretário de Saúde Luis Cláudio Guillaumon propôs à Câmara Municipal, durante audiência pública de prestação de contas da pasta referente ao último quadrimestre de 2017, a criação de uma campanha contra os trotes e enganos recebidos no telefone 192, do Samu. Este tipo de chamada representou 47,7% do total de solicitações recebidas pelo setor durante o período analisado.
Só para se ter uma ideia, entre setembro e dezembro de 2017, a secretaria de Saúde suzanense registrou 13.270 chamadas de urgência no Samu. Dessas, 4.416 foram enganos e 1.914 trotes, o que soma 6.330 solicitações. Ao considerar o todo, em 3.387 casos a unidade de suporte básico foi enviada ao socorro. Outras 390 situações necessitaram da unidade avançada e 203 orientações médicas foram efetuadas pelo telefone, sem o envio de suporte. Já as ligações administrativas representam 2.960.
Diante disso, o chefe da pasta propôs ao Legislativo a criação de uma campanha a fim de combater esse tipo de solicitação desnecessária e que prejudica o atendimento de quem realmente precisa.
Não há dúvida que é preciso conscientizar a população sobre os prejuízos causados pelos trotes telefônicos.
O objetivo da campanha, entre outras coisas, será esclarecer e criar um vínculo positivo entre o serviço e o público.
O Samu funciona por meio de uma gestão unificada entre o Ministério da Saúde e os governos estaduais e municipais e seus respectivos conselhos e secretarias de Saúde.
As falsas chamadas ocupam as linhas telefônicas sem necessidade, causando atrasos no serviço e fazendo com que um atendimento prioritário deixe de ser feito com a devida rapidez, podendo levar à morte do paciente.
É importante lembrar que, ao discar o número, o cidadão está ligando para uma central de regulação que conta com profissionais de saúde e médicos treinados para dar orientações de primeiros socorros por telefone. São estes profissionais que definem o tipo de atendimento, a ambulância e a equipe adequados a cada caso. Há situações em que basta uma orientação por telefone para salvar uma vida, lembra o ministério.
As equipes trabalham para prestar atendimento no menor tempo possível, já que atuam no local de ocorrência do problema e ainda fora do ambiente hospitalar.
É importante que a campanha proposta para Suzano prossiga e tenha êxito no seu objetivo.