O DS trouxe na semana passada reportagem sobre a nova edição deste ano do projeto "Observando os Rios". Ele é idealizado pela SOS Mata Atlântica. Foram analisadas 26 amostras dos cursos d'água no Alto Tietê, entre rios, córregos, lagos e ribeirões. Do total, metade (50%) foi considerada ruim.
Muitos especialistas afirmam que bastam três ações importantes para tentar minimizar o problema: coletar, afastar e tratar os esgotos antes de lançá-los no rio. A receita é simples, mas a maioria dos países não consegue aplicá-la.
Um relatório da Comissão Mundial de Águas, entidade internacional ligada à ONU, aponta que entre os 500 maiores rios do mundo, mais da metade enfrenta sérios problemas de poluição. No Brasil, o triste exemplo é o Tietê, seguramente um dos rios mais poluídos do planeta. Quando passa pela região metropolitana de São Paulo, ele recebe quase 400 toneladas de esgoto por dia e é considerado morto: só sobrevivem no seu leito organismos que não precisam de oxigênio, como certos tipos de bactérias e fungos. A principal causa da poluição é o esgoto doméstico. “Quase 5 milhões de pessoas ainda têm seus detritos lançados diretamente no rio”.
No levantamento do SOS divulgado, na semana passada, o resultado mostra que, além da metade dos rios em situação ruim, outros 42,3% estão em situação regular e 7,6% são dadas como boa, ou seja, em apenas duas amostras a região teve esta avaliação satisfatória: ambas do Rio Tietê, nos trechos dos municípios de Salesópolis e Biritiba-Mirim. O estudo leva em consideração os estados banhados pelo Oceano Atlântico, dos quais não houve nenhuma ocorrência de ótima amostragem. Dos cinco pontos dados como 'bom', três estão no Estado de São Paulo.
Especialistas afirmam que quando se sonha com a despoluição do Tietê, é inevitável lembrar do Tâmisa, na Inglaterra.
A história do rio mais sujo da Europa no século XIX começou a mudar na década de 60, quando um sistema de estações de tratamento removeu quase 100% dos esgotos lançados no rio, que hoje tem peixes vivendo em toda a sua extensão. O caso paulista é mais complicado. Primeiro porque o Tâmisa recebia menos esgoto e tem vazão maior que o Tietê, diluindo melhor a sujeira.
O trabalho de levantamento do SOS Mata Atlântica é muito importante porque vai dar pistas de onde “atacar” o problema.
O ciclo de monitoramento, entre março de 2017 e fevereiro deste ano, realizou 1.939 análises da qualidade da água, em 294 pontos de coleta, distribuídos em 230 corpos d'água, em 102 municípios de 17 estados do bioma Mata Atlântica.