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Editorial

Banheiros adaptados

28 julho 2018 - 23h59 Por Gabriely Machado
Banheiros adaptados
Mais de 12,7 milhões de brasileiros têm o que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) classifica como deficiência severa, ou seja, se enquadram nas opções "tem grande dificuldade" e "não consegue de modo algum" das deficiências visual, auditiva, motora e mental.
Essa multidão de pessoas – que corresponde mais ou menos à população do Rio Grande do Sul e que, para muitos especialistas, pode ser ainda maior – enfrenta uma batalha diária. Seja por motivos práticos, como a falta de calçadas adequadas para cadeirantes, seja por razões mais sutis – mas não menos sérias – como a falta de respeito.
Na semana passada, o DS trouxe reportagem mostrando o drama dos deficientes físicos em encontrar banheiros adaptados.
A reportagem mostrou que há mais de uma década a Associação Brasileira de Normas Técnica (Abnt) elaborou junto ao Comitê Brasileiro de Acessibilidade e a Comissão de Estudos de Acessibilidade em Edificações as diretrizes que regulamentam as construções no País, conforme as necessidades dos deficientes físicos. 
Adequações como barras e rampas facilitam a locomoção de cadeirantes, porém a adaptação de banheiros ainda é um dos desafios enfrentados por quem tem a deficiência.
De acordo com estudo realizado pela ComRes, à pedido da Toyota Mobility Foundation, 55% dos brasileiros cadeirantes não encontram banheiros que atendam à acessibilidade no dia-a-dia. 
Há outro problema. No Brasil, a maior parte das pessoas com deficiência física, auditiva, visual e mental está alijada do mercado de trabalho. Estudos mostram que há aproximadamente seis milhões de pessoas com deficiência em idade economicamente ativa, dos quais um milhão deve estar no mercado de trabalho informal e apenas 158 mil legalmente empregada com garantias trabalhistas e benefícios. 
A razão de muitas pessoas com deficiência estarem à margem do mercado de trabalho está diretamente ligada às poucas oportunidades que têm de ingressar em cursos e treinamentos profissionais, o que resulta em baixa qualificação para o exercício do trabalho.
Proporcionar acessibilidade e infraestrutura adequada para pessoas com deficiência é fundamental para garantir qualidade de vida e autonomia a elas. Cada vez mais, os profissionais de arquitetura desenvolvem soluções que facilitam a ‘usabilidade’ de todos os ambientes. Entre as transformações necessárias, destacam-se a importância dos banheiros adaptados. Esse olhar para as necessidades de todos já é uma realidade em espaços e eventos públicos, que são instruídos, por leis recentes.