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Editorial

Redes e debate público

31 julho 2018 - 23h59 Por Gabriely Machado
Redes e debate público
Uma reportagem publicada ontem pela Agência Brasil mostrou que um relatório do Instituto de Internet da Universidade de Oxford, no Reino Unido, mapeou iniciativas do que chamou de “manipulação do debate público” em todo o mundo. 
O estudo é, sem dúvida, muito importante, sobretudo por conta do período eleitoral que está em vigor. 
Os autores da pesquisa identificaram entre 2010 e 2018 campanhas que visaram influenciar os cidadãos em polêmicas políticas e eleições em 48 países, que chamaram de “cibertropas”.
Esse tipo de influência, pautado em informações - muitas vezes inverídicas - pode trazer consequências benéficas para o eleitor.
As nações estão localizadas em todos os continentes, como Américas, África, Europa, Ásia e Oceania. São listados casos mais notórios, como os Estados Unidos (na eleição de Trump em 2016) e o Reino Unido (com o referendo de saída da União Europeia em 2016). O Brasil foi citado como um dos locais onde as “cibertropas” atuaram, tendo como referência as eleições de 2010. Os pesquisadores mapearam partidos e entidades privadas atuando para influenciar a disputa.
É importante, por tudo isso, mais do que nunca ficar atento para os tipos de influência que as redes podem causar nesse período.
O levantamento identificou, por exemplo, um crescimento de mais de 70% nas iniciativas de manipulação do debate político. Na edição anterior do inventário, divulgada em 2017, haviam sido registrados 28 casos em diferentes países. Em cada um desses países há pelo menos um órgão público ou partido político envolvido nesse tipo de mobilização em redes sociais.
Os autores creditam o crescimento à atuação em processos eleitorais, no caso de legendas, e de reação à difusão das chamadas notícias falsas, no caso de agências estatais. O emprego de recursos para influenciar agendas políticas online por partidos foi localizado em 30 dos 48 países. Já a atuação de governos muitas vezes esteve relacionada ao medo de interferências externas nas discussões promovidas na internet. Essas iniciativas envolvem também órgãos criados para combater as notícias falsas.
De acordo com a reportagem da Agência Brasil, ao redor do mundo, agências governamentais e partidos políticos estão explorando redes sociais para difundir notícias falsas e desinformação, exercer censura e controlar e minar a confiança na mídia, nas instituições públicas e na ciência.
O momento é de ficarmos atentos para o que está sendo “consumido” nas redes sociais. A pauta inverídica, a falsa notícia, pode impactar de forma muito negativa o debate público nesse momento de eleição.
Entre os recursos mais utilizados estão os robôs (bots), contas automatizadas empregadas para repercutir uma ideia ou perfil (que pode ser de um político, partido ou fonte de informação). 
Não há dúvida que o processo de conscientização é urgente nesse momento. E que cada eleitor ou cidadão possa ter o mínimo de discernimento sobre esse assunto tão importante.