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Jornal Diário de Suzano - 20/07/2019
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Partos em discussão

22 AGO 2015 - 08h00

A saúde pública novamente está em discussão. Desta vez para tratar de um assunto importantíssimo e que atinge as mulheres: os partos.

Com dados de 2013, a Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada ontem pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que 54,7% dos partos brasileiros são cesáreas, número muito acima da recomendação de 15% da Organização Mundial da Saúde (OMS). Fora do Sistema Único de Saúde (SUS), a proporção chega a 88%.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, considerou ontem inadmissível a proporção de cesarianas realizadas no Brasil. Segundo ele, o País vive uma epidemia deste tipo de parto.

Para ele, o País precisa reconhecer que vive uma epidemia de cesarianas. Sobre os riscos de uma cesariana mal indicada, o ministro disse que o governo não está lidando com um problema simples.

Aqui não se trata de criminalizar a cesariana, o médico ou a mulher, no momento em que o parto é necessário. O problema é que a cesariana mal indicada traz 120 vezes mais riscos de prematuridade para a criança, aumenta em 24% o risco de mortalidade neonatal e aumenta em três vezes o risco de mortalidade materna.

Médicos explicam que a cesariana, como se sabe, é uma intervenção cirúrgica no útero para extrair o feto. É uma técnica que salva vidas todos os dias e seu desenvolvimento foi uma grande conquista da medicina. Originalmente, a cesárea deveria ser indicada apenas em situações delicadas, onde o risco para a mãe ou bebê não permitisse deixar a natureza agir por si. E, de preferência, a decisão pela cirurgia deveria ser tomada já com o trabalho de parto iniciado. Mas no Brasil existe uma “epidemia de cesarianas pré-agendadas”. E o resultado é uma população de bebês nascidos antes da hora com todas as complicações que a prematuridade oferece, assim como um grande número de mães frustradas com a experiência do parto.

A discussão sobre o tema é pertinente. O momento é de profissionais, entidades médicas, universidades e governo se apropriarem dos dados para planejar mudanças na organização e gestão dos serviços de saúde, inclusive dando mais multidisciplinariedade ao atendimento.

O objeto final é fazer com que mães e bebês não tenham complicações e sim se mantenham saudáveis após o parto.

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