O projeto "Correndo atrás de um Sonho" dá oportunidade para crianças trilharem um caminho no futebol. A prática atende cerca de 100 meninos, de 8 a 16 anos, na Vila Urupês onde treinam no campo cedido pela Associação Okinawa. O trabalho é totalmente voluntário e depende da contribuição de comerciantes para manter e traçar melhorias para o local de treinamento. Atualmente, o grupo busca instalar banheiro, bebedouro e vestiário para os garotos.
Toda manhã de sábado, o campo da Associação Okinawa recebe as crianças sob supervisão dos treinadores voluntários Marcos Sandro de Carvalho, conhecido como Kinho, Bruno Henrique de Carvalho, Danilo Basílio e Jorge Wilson de Araújo, o Neguinho. Kinho é um dos idealizadores do projeto e explica que a iniciativa surgiu há dez anos, a partir da associação esportiva Alvinegro da qual faz parte. "Treinávamos onde hoje é o supermercado Assai. O objetivo é exatamente correr atrás do sonho, independe se sairão jogadores profissionais ou não. Atendemos às crianças que tem vontade de jogar, mas não podem pagar por uma escolinha de futebol. Aqui só recebemos colaborações dos comerciantes locais. Há quatro anos viemos para o campo da Okinawa, onde investimos no espaço quanto à grama e as traves, além do material como bolas e cones".
Os treinos acontecem das 8 às 12 horas e, apesar do entusiasmo da equipe, ainda há muito que se fazer na infraestrutura do local que carece de banheiros, bebedouros e vestiários para os alunos. Para a realização das melhorias, a Associação Okinawa exige a regularização do estatuto Alvinegro. É o que explica Leonardo Yamada, advogado da entidade japonesa. "Precisamos da regularização do estatuto para conseguir um contrato de ocupação do espaço. A partir de então poderão realizar qualquer obra deste tipo", disse. "A Okinawa cede o lugar para finalidades sociais e culturais. O futebol é da cultura brasileira, então cedemos sim aos treinamentos das crianças", ressaltou o advogado que também preside a Associação de Judô Kyoei. "O judô foi feito por minha iniciativa, eu banquei a construção de toda a estrutura. A Okinawa apenas cedeu o espaço, como acontece com o futebol".
Para resolver o impasse, Yamada sugere a instalação temporária de banheiros químicos para sanar as necessidades dos garotos, enquanto o Alvinegro realiza os tramites de regularização do estatuto. "Estou esperando o presidente do Alvinegro nos passar autonomia para tratar diretamente com Leonardo. Em um prazo de 10 dias devemos conseguir essa representatividade", explanou Kinho, acompanhado pelo vice-presidente da associação esportiva, Alexandre Morgado. Ambos estão em conversação direta entre o projeto voluntário e o advogado da Okinawa.
Ronilson Freitas de Moraes é pai de um dos alunos que frequentam o campo. "Eu soube do projeto por um vizinho. Meu filho tem 13 anos e joga bola, no ano passado foi campeão do sub-13 pelo time Minas. Acho muito bom que ele continue a treinar, tem muita criança aqui e na cidade falta iniciativa e parcerias para que projetos como esse cresçam mais".