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Esportes

Vítima de racha, suzanense da seleção brasileira de voleibol ostenta títulos mundiais

Em 2003, o agora atleta, foi atropelado e perdeu a perna esquerda. No mesmo ano, ele participou de uma competição internacional

15 dezembro 2017 - 10h47 Por Marcus Pontes - de Suzano

Aos 17 anos, a vida do suzanense Rodrigo Alves de Mello, de 31 anos, mudou completamente. A imprudência de motoristas que tiravam racha, em Mogi das Cruzes, alterou o dia-a-dia do então adolescente e outros dois amigos. As consequências deste atropelamento foram instantâneas, já que Mello perdeu a perna esquerda. Mas, um convite, ainda na época do acidente, voltou a mudá-lo só que desta vez trazendo uma nova perspectiva.

Atualmente, Mello é o líbero da seleção brasileira de voleibol sentado e atleta da equipe de Barueri. O suzanense ostenta títulos a nível mundial e nacional, com o destaque recente a conquista da primeira colocação no Pré-Mundial do Canadá, em 2017, e a ‘bola de ouro’ de melhor atleta da competição.

São 14 anos dedicados ao esporte. E os bons resultados em competições renderam-lhe viagens a países, como Argentina, Holanda, Alemanha, Eslovênia, entre outros. Para Mello, a coleção de títulos vai ao encontro do convite que aceitou meses após o acidente que fez com que tivesse a amputação transfemoral da perna esquerda. Ele reforça ter tido a autoestima resgatada, mas principalmente conseguir mudar o modo de ver a vida, pelo então treinador Ronaldo Oliveira.

Ainda nesta época, o atleta suzanense participou da primeira competição internacional: os Jogos Pan-Americanos de 2003, na Argentina. E, assim, tendo o primeiro destaque, com a medalha de prata. A partir daí, Mello participou de três mundiais. Foi em 2007 que o líbero da Seleção brasileira conquistou, segundo ele, uma das maiores conquistas ao ganhar a medalha de ouro nos Jogos do Rio.

Ao DS, o atleta, que atua pela equipe de Barueri, não esconde o carinho que tem pelo Sesi. Foi justamente o técnico que ‘resgatou’ a autoestima do atleta que lidera a equipe, que treina em Suzano. “Fui atleta do Sesi. Depois recebi proposta para jogar em Barueri. Agora, eu voltei à Suzano porque montei uma loja de roupas. Tenho um carinho imenso pelo Sesi, não é segredo que voltaria para cá”, falou o atleta paraolímpico, que também reforçou que leva, em média, 4 horas para ir e vir aos treinos da atual equipe.

Ainda segundo Mello, a próxima competição que deverá disputar será em 2018, no Mundial. Mas a data ainda não está definida. “Creio que em 2018, a gente (Seleção Brasileira) vá disputar o Mundial. O problema é que não há uma data definida, até o momento”.

Esporte resgata

Mello, porém, frisou que o Alto Tietê e, principalmente, o País vivem hoje um cenário preocupante no esporte paraolímpico. Isto porque, segundo ele, faltam políticas públicas que incentivem ao resgate de pessoas afetadas por algum acidente, ou trauma que resultou em alguma perda de membros. “O esporte resgata às pessoas, principalmente àqueles que estão numa situação da vida de desânimo, ou que estão com o psicológico afetado por causa de algum trauma que sofreu. Eu já passei por isto, e sei o quanto isso ajuda e resgata. Quando vejo algum deficiente, eu tento resgatá-lo e mostrar o caminho benéfico do esporte”, disse.

O atleta, ainda, destaca a importância de determinadas pessoas, que vem o ajudando. "Sou muito grato a todos. Alguns como o Ronaldo Oliveira, o Célio, meu treinador da seleção brasileira, o Maurício e o Valmiro, que me ajudam no meu dia-a-dia na loja (localizada na Rua General Francisco Glicério, nº 76) e, também, ao meu novo amigo Alvanir".