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Jornal Diário de Suzano - 18/10/2020
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Marin dá R$ 56 mi e apartamento para ficar em prisão domiciliar nos EUA

04 NOV 2015 - 07h00

Começou ontem o processo do ex-presidente da CBF José Maria Marin, que foi extraditado da Suíça para os Estados Unidos. Ele foi oficialmente acusado de fraude, conspiração e lavagem de dinheiro, com a possibilidade de ser condenado a 20 anos de prisão. Mas, por um acordo, deu US$ 15 milhões (R$ 57,88 milhões) em garantias e vai poder acompanhar o processo em prisão domiciliar. Marin já dormiu em casa nesta terça.

Marin se declarou inocente e sua esposa, Neusa Marin, teve de assinar documentos para garantir sua fiança. Seu apartamento na Quinta Avenida, em Nova York, avaliado em US$ 3,5 milhões (R$ 13,5 milhões), também foi confiscado como parte das garantias e ele teve de entregar mais US$ 1 milhão (R$ 3,85 milhões).

A primeira audiência durou poucos mais de 20 minutos e um novo encontro foi marcado para o dia 16 de dezembro. Abatido, Marin chegou a pedir para sentar e tomar água, o que fez o juiz o questionar se ele estava bem. Sua esposa, Neusa, tentava tranquiliza-lo.

Ambos assinaram as garantias e o juiz insistiu que, se Marin não cumprisse o acordo, o dinheiro seria confiscado. Ele apenas poderá sair de seu apartamento para ir ao advogado, médico, igreja e comprar comida, sempre com o sinal verde da Justiça.

Por um acordo, o ex-presidente da CBF ainda ficará proibido de manter qualquer tipo de contato com Ricardo Teixeira e Marco Polo del Nero até o fim do processo, o que pode levar anos. Em troca, poderá aguardar em prisão domiciliar. Ele também não poderá ter contatos com pessoas da Traffic e outras empresas envolvidas no escândalo.

Diante do juiz, Marin viu sua mulher pela primeira vez em meses. Ao final da audiência, se abraçaram de forma emocionada e longamente. Ele vestia um casado azul e calça preta. Ela, apenas uma roupa preta. Durante a audiência, Marin falou apenas quando declarou seu nome.

Horas antes, algemado e em classe econômica, ele embarcou em um voo desde Zurique, colocando um fim a mais de cinco meses de prisão na Suíça, desde 27 de maio. Ao chegar a Nova York, o brasileiro foi quase imediatamente levado à sua primeira audiência, com o juiz Raymond Dearie.

Um intérprete local foi convocado e Marin se declarou inocente. Mas terá de colaborar com a Justiça. Ele aceita, pelo acordo, "colaborar" com a investigação, além de ter colocado uma parte significativa de seus bens nas mãos da Justiça.

Por enquanto, Marin não tem obrigação de delatar ninguém. Mas a Justiça norte-americana garante que voltará a propor isso ao ex-dirigente. Um dos focos é o de traçar o envolvimento de Kleber Leite, proprietário da Klefer, empresa que mantém relações com a CBF, Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira com as irregularidades.

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