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Cunha recebeu propina em 'horas de voo' de jatinho, afirma delator

17 OUT 2015 - 08h00

 O lobista e operador de propinas Julio Gerin Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou à Procuradoria-Geral da República que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu R$ 300 mil em 'horas de voo' como parte de uma propina de R$ 1 milhão, em 2014. Camargo entregou à PGR três notas fiscais relativas ao aluguel de dois jatinhos que teriam sido usados pelo deputado ou por pessoas por ele indicadas.

Julio Camargo disse que R$ 1 milhão seriam relativos à 'variação da taxa cambial' de uma propina de US$ 10 milhões sobre contratos de construção de navios-sonda da Petrobras. O lobista relatou à força-tarefa da Operação Lava Jato que recebeu Eduardo Cunha em seu escritório, em São Paulo, para tratar do pagamento da propina.

Segundo ele, R$ 500 mil foram pagos pelo operador de propina do PMDB, Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano. Os outros R$ 500 mil ficaram por conta do próprio Julio Camargo. "Que, nessa reunião, a pedido de Eduardo Cunha, acertou que pagaria R$ 200 mil em espécie; Que, ainda nessa reunião, Eduardo Cunha disse o nome e as características da pessoa que iria buscar o dinheiro com o declarante (Julio Camargo)", relatou o lobista.

Julio Camargo afirmou que o presidente da Câmara "enviou um representante" a seu escritório. O dinheiro teria sido entregue três dias depois. "Não recorda do nome do representante de Eduardo Cunha, mas era uma pessoa branca, no dia portava boné, idade entre 40 ou 50 anos, forte, com características de segurança." De acordo com o lobista, o dinheiro foi entregue ao emissário de Eduardo Cunha em um envelope pardo. "A pessoa pegou o envelope e colocou em uma mochila que portava."

Em sua delação premiada, Julio Camargo disse que R$ 300 mil seriam destinados ao fretamento dos jatinhos para uso do deputado. Ele relatou que mandou que "a empresa Global Táxi Aéreo faturasse voos solicitados por Eduardo Cunha no valor de ate R$ 300 mil". O pagamento seria efetivado por meio de uma de suas empresas, a Piemonte Empreendimentos.

"Não recebia informações da Global sobre quem seriam as pessoas que voaram por indicação de Eduardo Cunha; que foi faturado aproximadamente R$ 120 mil ou R$ 130 mil."

O delator disse acreditar que "o crédito" de R$ 300 mil não foi totalmente utilizado "em razão do desencadeamento da Operação Lava Jato, considerando que o nome do declarante (Julio Camargo) já estava sendo divulgado e o deputado Eduardo Cunha pode ter preferido, por cautela, não fazer mais voos sob a responsabilidade do declarante".

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