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Lula critica Justiça e mídia e ironiza suspeitas levantadas pela Lava Jato

05 MAR 2016 - 08h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a condução coercitiva à qual foi submetido no período da manhã pela Polícia Federal foi "o que precisava acontecer para o PT levantar a cabeça", embora tenha dito estar "magoado e ofendido" com a medida, que considerou fruto de "prepotência" dos investigadores da Operação Lava Jato. O petista também fez uma série de críticas à imprensa e a veículos de comunicação e disse merecer "respeito" como ex-presidente. Lula acrescentou que, com a condução coercitiva da Operação Aletheia, tentaram "matar a jararaca, mas não acertaram na cabeça, acertaram no rabo".

"Eu fiquei magoado, ofendido, me senti ultrajado, mas isso era o que precisava acontecer para o PT levantar a cabeça. Todo santo dia alguém faz o partido sangrar. A partir da semana que vem, quem quiser discurso do Lula, é só pagar a passagem de avião. Não sei se serei candidato em 2018, mas essas coisas aumentam o tesão da gente. Tentaram matar a jararaca, mas não acertaram na cabeça, acertaram no rabo. A jararaca está viva", disse Lula em entrevista coletiva concedida na sede PT, em São Paulo.

O petista disse que não se recusou a prestar depoimento espontaneamente em três vezes anteriores e que a operação Lava Jato preferiu "lamentavelmente usar a prepotência". O petista citou o juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato na primeira instância e autorizou a condução coercitiva de Lula. "O Moro não precisava ter mandado uma coerção na minha casa de manhã, na casa do Delcídio, do Paulo Okamotto, não precisava. Era só ter convidado. Eu iria em Curitiba, iria a Brasília, era só ter chamado."

Ele reiterou não ter ligação com qualquer irregularidade. "Se encontrarem um real de desvio no meu bolso, eu não mereço estar neste partido", afirmou.

O ex-presidente também pediu desculpas à mulher, Marisa Letícia, que não foi alvo de mandado de condução coercitiva, à família e aos amigos e assessores que foram envolvidos na operação de ontem. "Virou uma coisa perigosa hoje ser amigo do Lula", ironizou.

No discurso, transmitido por sites aliados do PT, o ex-presidente criticou a imprensa pelo que considera um "espetáculo midiático" e disse que "hoje quem condena as pessoas são as manchetes". "Estou indignado com esse processo de suspeição", disse.

Ele voltou a afirmar que não é dono do tríplex no Guarujá investigado pela operação e ironizou, dizendo que queria saber quem iria dar a ele um apartamento no final do processo. "Se eu não comprei e não paguei, o apartamento não é meu", afirmou.

O petista também disse que o sítio em Atibaia pertence ao filho do compadre Jacó Bittar, a quem conhece há 35 anos, e ironizou as suspeitas dizendo que usa o sítio do amigo porque nenhum inimigo oferece uma alternativa. Ele mostrou irritação ao falar de suspeitas de irregularidades na compra de um barco de R$ 4 mil e de pedalinhos.

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