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Jornal Diário de Suzano - 23/10/2020
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Reale Júnior diz que presidente Dilma sabia da gravidade das contas

29 ABR 2016 - 08h00

 Em discurso na Comissão do Impeachment no Senado, o advogado Miguel Reale Júnior disse ontem que a presidente Dilma Rousseff (PT) prejudicou o País ao provocar o descontrole das contas públicas com operações de crédito com bancos públicos. Reale é um dos autores da denúncia que deu origem ao processo de impeachment contra Dilma, junto com os advogados Hélio Bicudo e Janaína Paschoal, que também falou aos senadores.

Reale rebateu argumento do ex-secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, de que as operações de crédito com bancos públicos eram de responsabilidade dele e Dilma não tinha conhecimento. O advogado relembrou reportagens publicadas de que Augustin e Dilma eram muito próximos e que a presidenta não tinha perfil para deixar a tomada de decisões nas mãos de um subordinado.

“Dilma era considerada efetivamente a ministra da Fazenda”, afirmou Reale Júnior. “Sua personalidade centralizadora fazia com que ela tomasse sempre para si o processo de tomada de decisão. Fatos dessa gravidade eram sempre de orientação direta da sua pessoa”, completou.

Ele classificou de “um cheque especial” utilizado pelo governo as operações em que os bancos públicos arcavam com o pagamento dos programas sociais sem repasse por parte do Tesouro Nacional, conhecidas como pedaladas fiscais. Reale Júnior afirmou que não é verdadeira a alegação de que havia a necessidade de se utilizar dessa manobra para garantir o pagamento dos programas como o Bolsa Família. “O estado de necessidade só existe quando não há outro caminho. Havia caminhos certos a serem seguidos que não foram seguidos. E os caminhos estavam em eliminar as desonerações, eliminar o gigantismo do Estado e fazer outras medidas necessárias para a redução do gasto público. E isso continuou violentamente em 2015”.

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