Inseguras nos trens, passageiras cobram ações contra assédio sexual
CPTM e Metro intensificaram campanhas contra o assédio nos últimos dias. Mulheres cobram ações
3 MAI 2019 • POR Daniel Marques - de Suzano • 23h56
Inseguras nos trens, passageiras cobram ações contra assédio sexual - Sabrina Silva/DS
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) estão intensificando as campanhas contra o assédio no transporte público de São Paulo. No ano passado, foram registrados 133 casos de abuso sexual na CPTM e 137 no Metro. Em 2019, os números foram de 34 abusos na CPTM e 28 no Metro, só nos primeiros três meses.
As mulheres se sentem inseguras dentro do transporte público. Algumas hipóteses como o aumento da segurança nas plataformas e da fiscalização dentro das composições são apontadas pelas usuárias como ações que podem reduzir o número de casos de assédio.
São diversas situações que levam as mulheres ao constrangimento nos trens. Algumas relatam até que são ofendidas pelos homens. É o caso de Gisele dos Santos Gonçalves, 24. A enfermeira afirma que a situação é absurda porque os homens não têm nenhum respeito nos vagões. "Eu que ando de branco tenho que redobrar minha atenção. Se a gente é ofendida e fala alguma coisa, ainda é capaz de a gente apanhar deles", relata.
Uma ideia muito abordada pelas mulheres para a redução dos casos é a implantação dos vagões femininos. Ela vigora nos trens da SuperVia, no Rio de Janeiro, durante os horários de pico. Além disso, segundo elas, as punições aos assediadores poderiam ser mais severas. "O vagão exclusivo para mulheres é muito válido, e é a melhor solução de início. Porém, podem ser pensadas outras medidas além dessa", opina Luciana Kingerski, 30, que é atendente de gestão empresarial e trabalha na Associação Comercial de Suzano.
Ela defende que a lei deveria ser mais rígida para punir os infratores porque, segundo ela, a punição é muito leve. "Nós damos o respeito, mas não somos respeitadas. A segurança pode ser aumentada, mas o controle, talvez, continue sendo difícil", diz.
E o problema de assédio não deve ser resolvido tão facilmente. As usuárias do transporte público de São Paulo afirmam que os problemas vão além das plataformas e composições da CPTM e do Metro.
Apesar de nova, uma estudante, de 16 anos, ouvida pelo DS, já sente medo de andar de trem. A menina afirma que não se sente segura perto dos homens nas composições. Ela tem dúvidas se vagões femininos resolveriam a questão, porque o assédio também acontece do lado de fora das estações. "Tenho amigas que já passaram por isso. O problema está com eles. Quando eu to mais perto de mulheres, me sinto mais segura", conta.