Anatel autoriza retirada de 122 orelhões em Suzano
Possibilidade existe devido ao fim das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos no Brasil
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou, a partir de janeiro, a retirada dos telefones públicos, popularmente conhecidos como “orelhões”, das ruas. Em Suzano, a empresa responsável pelo serviço é a Vivo, que informou que manterá os aparelhos ativos até o final de 2028, apesar de o uso ser praticamente inexistente.
De acordo com dados da operadora, até dezembro do ano passado havia cerca de 28 mil orelhões em operação no estado de São Paulo. A utilização desses aparelhos teve uma queda de 93% nos últimos cinco anos. A Vivo afirmou que seguirá as regras estabelecidas pela Anatel e que a retirada dos aparelhos ocorrerá ao longo do ano, conforme um cronograma baseado em critérios operacionais, de segurança e de conformidade regulatória.
Atualmente, Suzano conta com 122 telefones públicos instalados, dos quais oito estão em manutenção. Segundo a Anatel, a possibilidade de remoção dos orelhões está relacionada ao encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos no Brasil.
Entenda
A Agência explicou que, no caso de Suzano, a Vivo alterou o contrato que mantinha com o governo federal em abril de 2025, deixando o regime de concessão e passando a atuar em regime privado. Porém, no termo firmado com a Anatel, a operadora se comprometeu a manter os telefones públicos instalados em todas as localidades atendidas até 31 de dezembro de 2025.
Desde 1º de janeiro de 2026, a empresa deixou de ser obrigada a manter os orelhões fora das 373 localidades específicas previstas no acordo, Suzano não está incluída. A manutenção dos aparelhos passa a ser exigida apenas em cidades onde não há cobertura de rede de telefonia celular, e somente até o ano de 2028.
Para a atendente Gabrielle Leme, os telefones públicos ainda representam uma segurança em situações de emergência. “Já usei algumas vezes. Minha mãe, inclusive, me ensinou a ligar a cobrar em casos de emergência. Hoje em dia não me vejo usando um orelhão, mas existem situações extremas”, afirmou.
A professora Eliane Marchione relembra que utilizava os orelhões com frequência, já que eram a única maneira de se comunicar fora de casa. “Na época, a gente precisava comprar fichas para fazer as ligações e às vezes eram necessárias várias fichas. Era desesperador saber que elas estavam acabando e a gente não tinha terminado a conversa”, contou, bem-humorada. Segundo ela, as transformações na comunicação fizeram com que mensagens escritas ou de voz se tornassem mais comuns, tornando os orelhões ultrapassados.
Já sobre a estética dos aparelhos, a estudante Marilia Marchione comentou que frequentemente ouve a comparação entre os orelhões brasileiros e os telefones públicos de outros países. “A gente tem essa imagem de que em Londres, por exemplo, é tudo lindo, mas eu estive lá e todos são iguais aos daqui. Na verdade, em ocasiões como o Natal, as pessoas até enfeitavam os orelhões daqui, era até mais legal”, relembrou.