Cidades

Anatel autoriza retirada de 122 orelhões em Suzano

Possibilidade existe devido ao fim das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos no Brasil

25 JAN 2026 • POR Yasmin Torres - Da Reportagem Local • 11h00
ORELHÕES Podem ser retirados das ruas - isabela oliveira/ds

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou, a partir de janeiro, a retirada dos telefones públicos, popularmente conhecidos como “orelhões”, das ruas. Em Suzano, a empresa responsável pelo serviço é a Vivo, que informou que manterá os aparelhos ativos até o final de 2028, apesar de o uso ser praticamente inexistente.

De acordo com dados da operadora, até dezembro do ano passado havia cerca de 28 mil orelhões em operação no estado de São Paulo. A utilização desses aparelhos teve uma queda de 93% nos últimos cinco anos. A Vivo afirmou que seguirá as regras estabelecidas pela Anatel e que a retirada dos aparelhos ocorrerá ao longo do ano, conforme um cronograma baseado em critérios operacionais, de segurança e de conformidade regulatória.

Atualmente, Suzano conta com 122 telefones públicos instalados, dos quais oito estão em manutenção. Segundo a Anatel, a possibilidade de remoção dos orelhões está relacionada ao encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos no Brasil.

Entenda

A Agência explicou que, no caso de Suzano, a Vivo alterou o contrato que mantinha com o governo federal em abril de 2025, deixando o regime de concessão e passando a atuar em regime privado. Porém, no termo firmado com a Anatel, a operadora se comprometeu a manter os telefones públicos instalados em todas as localidades atendidas até 31 de dezembro de 2025.

Desde 1º de janeiro de 2026, a empresa deixou de ser obrigada a manter os orelhões fora das 373 localidades específicas previstas no acordo, Suzano não está incluída. A manutenção dos aparelhos passa a ser exigida apenas em cidades onde não há cobertura de rede de telefonia celular, e somente até o ano de 2028.
Para a atendente Gabrielle Leme, os telefones públicos ainda representam uma segurança em situações de emergência. “Já usei algumas vezes. Minha mãe, inclusive, me ensinou a ligar a cobrar em casos de emergência. Hoje em dia não me vejo usando um orelhão, mas existem situações extremas”, afirmou.

A professora Eliane Marchione relembra que utilizava os orelhões com frequência, já que eram a única maneira de se comunicar fora de casa. “Na época, a gente precisava comprar fichas para fazer as ligações e às vezes eram necessárias várias fichas. Era desesperador saber que elas estavam acabando e a gente não tinha terminado a conversa”, contou, bem-humorada. Segundo ela, as transformações na comunicação fizeram com que mensagens escritas ou de voz se tornassem mais comuns, tornando os orelhões ultrapassados. 

Já sobre a estética dos aparelhos, a estudante Marilia Marchione comentou que frequentemente ouve a comparação entre os orelhões brasileiros e os telefones públicos de outros países. “A gente tem essa imagem de que em Londres, por exemplo, é tudo lindo, mas eu estive lá e todos são iguais aos daqui. Na verdade, em ocasiões como o Natal, as pessoas até enfeitavam os orelhões daqui, era até mais legal”, relembrou.