Arujá completa 4 anos sem feminicídios; delegada aponta ações da DDM
Durante o programa DS Entrevista, Regina Campanelli explica procedimentos em casos de violência e reforça os canais de apoio disponíveis
A delegada de Polícia Regina Campanelli, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Arujá e da Delegacia de Área de Santa Isabel, fez um balanço sobre o atendimento à mulher no município de Arujá. Durante o programa DS Entrevista, na última segunda-feira (19), ela detalhou a situação da cidade e esclareceu dúvidas sobre os procedimentos adequados em casos de violência física ou psicológica.
Segundo a delegada, Arujá está há quatro anos com índice zero de feminicídio, período que coincide com a implantação da DDM no município. “Eu creio que esse índice positivo se deve ao trabalho integrado que a Delegacia de Defesa da Mulher realiza junto à rede de proteção, formada pelos órgãos da Prefeitura. Também contamos com a Patrulha Maria da Penha e a Sala Rosa, que são de suma relevância para o bom andamento do trabalho e para os baixos índices criminais que temos hoje”, afirmou.
Entre as reivindicações ainda necessárias, Regina destacou a implantação da DDM 24 horas, demanda que, atualmente, vem sendo suprida pela Sala Lilás. “A mulher não precisa de acolhimento apenas durante o horário de expediente, ela precisa de um atendimento humanizado também no período noturno. Essa Sala Lilás é interligada à Delegacia Eletrônica da Mulher, a DDM Online, então se quiser, a mulher pode chegar ao plantão policial e solicitar atendimento nessa sala”, explicou. A delegada ressaltou ainda que “obviamente, o ideal seria o funcionamento 24 horas de todas as DDMs, mas enquanto isso não acontece, essa estrutura serve para cobrir a falta”.
Para Regina Campanelli, hoje a mulher se sente mais segura para buscar atendimento na Delegacia de Defesa da Mulher, o que pode explicar o aumento recente no número de registros. “Para a mulher, já é um sacrifício chegar até a delegacia, porque ela se sente humilhada e fragilizada. Isso é uma dificuldade real. Paralelamente, em cerca de 90% dos casos de feminicídio, as mulheres abrem a porta para o agressor para tentar conversar, se reconciliar, e infelizmente acabam mortas”, relatou.
Procedimento e serviço
A delegada orienta que a delegacia de polícia é a porta de entrada para o atendimento e o local ideal para a mulher buscar orientações. “Existem também outros órgãos, já que trabalhamos em rede, como a Procuradoria da Mulher na Câmara, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e os próprios hospitais”, destacou.
Em caso de dúvidas, especialmente em situações de violência psicológica, a recomendação é procurar a DDM mais próxima.
“Ao relatar o caso em uma DDM, a autoridade policial vai avaliar se aquela situação configura ou não violência psicológica. Muitas vezes a mulher não sabe se está sofrendo violência, e, nesses casos, pode utilizar esse serviço”, explicou.
Para orientações e esclarecimento de dúvidas, o contato pode ser feito pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher. Em situações emergenciais, a orientação é ligar para a Polícia Militar, pelo número 190, ou para a Guarda Civil Municipal (GCM), pelo 153. O número 181 também está disponível para denúncias anônimas, permitindo que os casos sejam averiguados pela polícia.