Saúde

Emagrecimento rápido com 'canetas' pode gerar epidemia de sarcopenia, alertam especialistas

Ortopedista Marcos Nali e endocrinologista Frederico Godoi Cintra, ambos do Imot, afirmam que a perda de peso sem trabalho de reforço muscular pode causar problemas ósseos; acompanhamento médico é imprescindível

18 FEV 2026 • POR da Reportagem Local • 18h44
Emagrecimento rápido com 'canetas' pode gerar epidemia de sarcopenia, alertam especialistas - Divulgação

Métodos que promovem o emagrecimento rápido caíram no gosto popular e estão sendo adotados em todo o mundo. Embora as chamadas “canetas” emagrecedoras apresentem diversos benefícios, especialistas fazem ressalvas quanto ao uso indiscriminado e sem acompanhamento médico. Entre as possíveis consequências está a sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva e generalizada de massa, força e função muscular.

As “canetas” emagrecedoras são medicamentos desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2. Elas atuam sobre hormônios intestinais relacionados à sensação de saciedade e ao controle glicêmico e, por isso, tornaram-se eficazes também no tratamento da obesidade.

O médico ortopedista e especialista em Joelho do Imot de Mogi das Cruzes, Marcos Nali, explica que o controle do peso é fundamental para a saúde de modo geral, principalmente devido à sobrecarga nas articulações. A diminuição do peso corporal é um dos pilares no tratamento da artrose do joelho. No entanto, quando a perda ocorre de forma rápida, não é apenas a gordura que diminui, há também redução significativa da massa muscular, conhecida como massa magra.

Esse impacto pode levar à sarcopenia, condição associada à perda progressiva de músculo e à fragilidade física, aumentando o risco de quedas e fraturas, como alerta o médico:

“É preciso atenção durante o processo de emagrecimento para evitar o enfraquecimento do corpo. Os músculos sustentam o corpo e equilibram as articulações, um indivíduo magro, mas sem massa muscular adequada, pode desenvolver sarcopenia e comprometer o funcionamento geral do corpo”, explica Nali.

Além do uso dos medicamentos, é essencial o acompanhamento multiprofissional, que inclui orientação nutricional, com reforço na ingestão de proteínas, e prática de atividade física, como a musculação.

O endocrinologista do Imot, Frederico Godoi Cintra, reforça as orientações e destaca que o número na balança nem sempre reflete saúde:

“O medicamento sozinho não faz milagre. É necessário estratégia e acompanhamento adequado. Vale destacar que a perda de massa muscular também afeta o metabolismo. Atualmente, recomenda-se a prática concomitante de exercícios voltados à hipertrofia. É muito melhor um paciente que mantém seu volume muscular do que aquele que perde muito peso na balança, mas também apresenta queda significativa de massa magra”, afirma.