Vida em condomínio cresce e exige preparo maior de moradores, alerta especialista
Jornalista e consultor Roberto Viegas lança livro sobre os desafios da implantação condominial e aponta falhas na comunicação entre construtoras e compradores
A vida em condomínio tem crescido e ganhado força na região do Alto Tietê. De acordo com o jornalista, escritor e consultor Roberto Viegas, especialista em mercado imobiliário e condomínios, esse crescimento acelerado tem exposto conflitos de convivência, dificuldades financeiras e falta de preparo dos moradores para a nova realidade. Todos esses assuntos são trabalhados no livro de Viegas “Viver e Trabalhar em Condomínios – Um guia prático e sensível sobre o ambiente condominial”, recém-publicado digitalmente pelo selo Atual, da Alta Books e que terá cópias físicas impressas a partir de março.
Para ele, o processo de compra e implantação de empreendimentos precisa ser mais humanizado.“A vida em condomínio está crescendo de maneira vertiginosa em todas as cidades, e muitas vezes os conflitos surgem pela falta de respeito às regras e pela dificuldade de convivência”, afirmou durante o programa DS Entrevista.
Segundo Viegas, o problema começa ainda na fase de aquisição do imóvel. “Na compra do imóvel ainda na planta, por exemplo, costuma durar cerca de três anos até a entrega e é marcada por ansiedade, dúvidas e, em alguns casos, arrependimento.As pessoas compram para realizar um sonho, mas passam anos convivendo com incertezas. Hoje a lei do distrato penaliza muito quem desiste. A pessoa fica presa à compra e, muitas vezes, frustrada”, disse.
O jornalista explica que, nesse período, o foco das incorporadoras está na conclusão da obra e na viabilização do financiamento, deixando em segundo plano a preparação do morador para a vida condominial.“Pouco se fala sobre como vai funcionar o condomínio. O cliente descobre as regras quando já está morando lá”.
Outro ponto sensível é o impacto financeiro, pois além da taxa condominial fixa, há despesas extraordinárias e custos variáveis relacionados ao uso das áreas comuns.“O morador viaja o mês inteiro, não usa nada, mas precisa pagar a cota condominial. Isso gera incompreensão. Sem falar que quanto mais se usa a área comum, mais se gasta, e tudo é dividido pela fração ideal”, afirmou.
Ainda durante o DS Entrevista, Viegas apontou que a fase de implantação do condomínio é uma das mais delicadas. “É quando o prédio deixa de ser responsabilidade direta da construtora e passa a funcionar como uma entidade independente, com CNPJ, síndico e conselho. São quase 150 obrigações que precisam ser implementadas no primeiro ano. O síndico morador, muitas vezes, assume sem preparo e é bombardeado de perguntas”.
Ele destaca que a convenção condominial, documento que rege as regras do empreendimento, já existe desde a venda, mas raramente é lida pelos compradores.“É ali que está o segredo de como o condomínio vai funcionar, mas as pessoas só descobrem quando o problema aparece”.
Com mais de 20 anos de atuação em incorporadoras, Viegas defende que a comunicação é a principal ferramenta para reduzir conflitos, tanto com moradores quanto com a vizinhança durante a obra.“Quando as pessoas entendem o que está acontecendo, aceitam melhor os transtornos temporários. Tudo depende da comunicação”, disse.