Região

Alcance da equidade de gênero precisa passar por transformação das estruturas econômicas e sociais

Para além da criminalização, a justiça social passa por repensar as bases econômicas e sociais que sustentam desigualdades históricas no Brasil

12 MAR 2026 • POR Da região • 14h23
Camila Santos é engenheira e fundadora da Margem Viva - Divulgação

Em um país marcado por profundas desigualdades sociais e raciais, herdadas de um processo colonizatório violento, o debate sobre equidade de gênero costuma aparecer com força nos momentos em que a violência contra as mulheres se torna impossível de ignorar.

A criminalização desses crimes é um passo necessário para a proteção de direitos e para o reconhecimento institucional da gravidade dessas violências. No entanto, especialistas apontam que o enfrentamento da desigualdade de gênero não pode se limitar a respostas punitivas.

Para Camila Santos, engenheira e fundadora da Margem Viva, o avanço real da equidade exige ir além da lógica do punitivismo e enfrentar as estruturas econômicas e sociais que historicamente sustentam essas desigualdades.
“Criminalizar a violência é necessário, mas é evidente que o punitivismo, por si só, não resolve o problema. Quando a violência se repete de forma sistemática, isso indica que ela está enraizada nas próprias estruturas que organizam a sociedade”, afirma.

Segundo ela, compreender essa realidade exige olhar para a forma como o Brasil foi constituído historicamente. “Vivemos em uma sociedade moldada por um pacto colonial que naturalizou relações de poder, exploração e controle sobre determinados corpos. O abuso, em muitos contextos, deixou de ser percebido como exceção e passou a ser parte do funcionamento cotidiano das relações sociais.”

Com atuação voltada para projetos de impacto social e para a criação de caminhos que ampliem oportunidades para populações historicamente marginalizadas, Camila defende que o avanço real da equidade depende de uma transformação mais profunda nas bases econômicas e sociais do país.

“É impossível avançar em equidade em uma realidade construída sobre a desigualdade. É necessária uma reengenharia das estruturas econômicas e sociais que dependem, historicamente, da reprodução do trabalho de mulheres, sobretudo negras e periféricas.”