Descredenciamento de clínicas especializadas resulta em protesto contra operadora de saúde em Suzano
Objetivo do protesto foi denunciar a situação, dar visibilidade às famílias afetadas e cobrar medidas que garantam a continuidade dos tratamentos e a manutenção dos vínculos terapêuticos
O movimento “ABA Resiste” realizou, no sábado (4), protesto contra o descredenciamento das clínicas especializadas em Terapia de Análise do Comportamento Aplicada (ABA), em Suzano. Segundo o idealizador Marcos Carvalho, a operadora – responsável pelo atendimento - teria “forçado” a troca de equipes das clínicas, que atendiam crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O objetivo do protesto foi denunciar a situação, dar visibilidade às famílias afetadas e cobrar medidas que garantam a continuidade dos tratamentos e a manutenção dos vínculos terapêuticos. Nesta segunda-feira (6), o grupo também se reuniu na Avenida Paulista e articula um novo ato em frente à outra sede da operadora, em São Paulo.
Carvalho destacou que muitas crianças estavam em acompanhamento contínuo há anos, com evolução significativa.
Segundo ele, a troca de profissionais compromete diretamente o tratamento. “A mudança forçada de prestadores quebra o vínculo terapêutico, que é um dos pilares da ABA. Esse vínculo é construído gradualmente, com base em confiança e segurança emocional, sendo essencial para o desenvolvimento da criança”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que a interrupção desse vínculo pode causar regressões no desenvolvimento, aumento de crises, desorganização emocional e sofrimento tanto para os pacientes quanto para suas famílias. “A situação é ainda mais delicada para crianças classificadas como nível 3 de suporte, que precisam de acompanhamento intensivo e profissionais já adaptados às suas necessidades”, completou.
Ainda, segundo Carvalho, os beneficiários estão sendo direcionados para modelos de atendimento que não garantem a mesma intensidade, qualidade ou individualização da terapia ABA, comprometendo a eficácia do tratamento. “Por isso o movimento, que é formado por famílias, profissionais e apoiadores, surgiu. Queremos promover o enfrentamento dessa situação, ampliar o debate público sobre o tema e buscar soluções efetivas para garantir a continuidade dos tratamentos”, disse.
Ao DS, a operadora informou que “reafirma seu compromisso com um atendimento humanizado, seguro e de qualidade às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e garantiu que nenhum paciente está desassistido”.
A operadora garantiu ainda que possui estrutura adequada e profissionais capacitados para assegurar a continuidade dos tratamentos conforme as necessidades individuais. Segundo a empresa, as mudanças seguem os protocolos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a transição entre clínicas ocorre de forma planejada.