Adolescente com autismo transforma desenhos em forma de expressão e sonha ser cartunista
Conhecido como "Niuo", o artista já cria personagens autorais, com histórias e universos originais
A dificuldade na fala levou um garoto de 14 anos a se comunicar por desenhos e, hoje, ele sonha em ser cartunista. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda na primeira infância, Nicholas Alexandre de Mendonça, conhecido como “Niuo” por sua arte, cria histórias inspiradas nas obras da Turma da Mônica, Menino Maluquinho e O Pequeno Príncipe.
Nascido e crescido em Suzano, Nicholas costumava ilustrar situações do cotidiano, sentimentos e até conflitos familiares quando pequeno. “Se a gente brigava com ele, ele desenhava a cena. A geladeira, a gente com cara de bravo. Foi a forma que ele encontrou de se expressar”, relatou a mãe dele, Priscila Alexandre de Mendonça.
Com o tempo, o interesse pelo desenho se intensificou e passou a se conectar com seus hiperfocos. “Primeiro, vieram os logotipos de marcas e programas de TV, depois, personagens e histórias ganharam espaço. Me lembro que o contato com O Pequeno Príncipe, apresentado na escola, marcou uma virada”, explicou Priscila.
A paixão pelos desenhos evoluiu para um interesse mais profundo de entender quem estava por trás das criações. Nicholas passou a pesquisar cartunistas, suas histórias e estilos. Ele também criou livretos para organizar os artistas por país e para desenvolver sua assinatura própria.
Há cerca de três anos, Niuo passou a criar personagens autorais, com histórias e universos originais. Um deles é “Tlispia”, uma gata que protege outros animais de ameaças, em narrativas que ele mesmo desenvolve.
Hoje, aos 14 anos, Nicolas mantém o desenho como parte central da rotina e, mesmo com dificuldades na fala e na interpretação de textos, ele tem o objetivo de ser cartunista. “Ele diz que vai criar quadrinhos, transformar em filmes, fazer parcerias. Já tem tudo planejado na cabeça dele”, contou a mãe.
Além da carreira artística, o adolescente também demonstra um forte senso de empatia. Ele sonha em criar um projeto social, chamado “Instituto Ninan”, inspirado em um apelido que ganhou na infância, para ajudar outras crianças.
A família pretende investir em cursos de desenho e inglês para apoiar esse caminho. “Cada palavra nova, cada desenho, tudo é comemorado. A gente acredita muito no potencial dele”, disse Priscila.