Sustentabilidade: Suzano projeta 27 praças e vai ampliar áreas verdes
Secretário Elvis Vieira detalha planejamento que envolve sustentabilidade
Suzano se prepara para um novo ciclo de desenvolvimento urbano impulsionado pelo Complexo Viário do Alto Tietê, ao mesmo tempo em que avança em políticas de sustentabilidade, mobilidade e ampliação de áreas verdes. Durante o DS Entrevista na última quarta-feira (22), o secretário de Planejamento Urbano e Habitação, Elvis Vieira, afirmou que a cidade possui quatro novas praças em construção, um conjunto de 27 projetos previstos, tanto de revitalização quanto de equipamentos novos, e uma meta de ampliar em 20 mil metros quadrados as áreas verdes do município.
Vieira reforçou que o planejamento já considerava essa transformação desde 2017. “A realização das obras do complexo do Rodoanel é peça fundamental para pensarmos como a cidade vai se desenvolver daqui para o futuro”, disse.
O secretário destacou que a Prefeitura já vinha se preparando para esse cenário desde a gestão anterior. “Quando começamos a estudar as possibilidades de fazer com que Suzano pudesse realmente alavancar economicamente, a gente entendia que aquele complexo era importantíssimo”, afirmou. Com o avanço das obras, o interesse de investidores aumentou. “A Secretaria vem sendo procurada por investidores, seja aqui no Estado de São Paulo, fora do Estado ou até fora do país, para investir não só em empreendimentos residenciais, mas também de prestação de serviço, em especial na área logística”, disse.
Ele lembrou que essa estratégia foi definida no Plano Diretor. “A ideia era mudar um pouco essa rota de cidade industrial, sem perder isso, mas incentivar o setor logístico”, destacou. Segundo Vieira, esse movimento deve gerar emprego e reduzir deslocamentos. “Queremos reduzir o trajeto das pessoas no dia a dia. Fazer com que quem mora aqui trabalhe aqui, diminuindo aquele sistema pendular. A pessoa deixa de perder horas no transporte e ganha qualidade de vida”, afirmou.
O planejamento também segue o conceito internacional de cidade de 15 minutos. “Estamos trabalhando nessa teoria que nasceu em Paris, que busca garantir acesso a serviços próximos da residência”, explicou.
Dentro dessa lógica de qualidade de vida, o programa “Suzano Mais Praças” foi estruturado para ampliar áreas verdes e reduzir impactos ambientais. “Quando elaboramos o programa, o primeiro objetivo foi mapear todas as praças da cidade. Hoje nós temos 50 praças mapeadas”, disse. A partir desse levantamento, a administração conseguiu classificar os espaços e planejar ações. “Conseguimos categorizar que tipo de praça nós temos e qual o tipo de desafio de manutenção”, afirmou.
A manutenção envolve diferentes setores da Prefeitura. “Isso foi feito junto com a Secretaria de Obras e a Secretaria de Meio Ambiente”, explicou. A estratégia também definiu metas de expansão. “A partir disso, tiramos uma estratégia de quantas praças a mais queremos fazer, com o objetivo de ampliar o número de áreas verdes da cidade”, disse.
Segundo o secretário, além das quatro praças já em construção, o município conta com 27 projetos previstos dentro do programa, tanto de revitalização de praças já existentes, quanto de equipamentos novos.
O secretário destacou que a proposta vai além da urbanização tradicional. “Não é só uma praça seca, mas uma praça que possa trazer conforto térmico para os bairros”, afirmou. A iniciativa está diretamente ligada ao estudo de ilhas de calor. “Fizemos um plano de redução de ilhas de calor e de ruído e, a partir disso, mapeamos quais são os bairros mais quentes”, explicou.
Com base nesse diagnóstico, bairros com maior temperatura passaram a ser prioridade. “Nós observamos quais bairros tinham necessidade de novas praças. Hoje temos quatro em construção, inicialmente no Miguel Badra e na Vila Fátima”, disse. Ele explicou o motivo da escolha. “O Miguel Badra foi priorizado porque foi identificado um valor de calor excedente em relação a outros bairros. Então é necessário ampliar áreas verdes ali para reduzir a temperatura”, afirmou.
Vieira também comentou sobre os desafios da região central. “Próximo à estação de trem, o calor vem de vários fatores, como tipo de piso, volume de automóveis e características dos prédios. Tudo isso interfere na temperatura”, disse.
Outro destaque foi o avanço do plano cicloviário, que integra a política de mobilidade ativa. “Desenvolvemos esse plano junto com a Secretaria de Mobilidade e ele tem como meta 119 quilômetros de ciclovias”, afirmou. Atualmente, Suzano conta com cerca de 19 quilômetros implantados. “Não é tarefa fácil, mas o importante é que a gente tem um plano e sabe onde quer chegar”, disse.
Segundo ele, o objetivo é conectar bairros e integrar diferentes modais. “A ideia é permitir que a pessoa saia do bairro, chegue até a estação de trem ou terminal de ônibus com segurança e utilize a bicicleta como alternativa”, afirmou.
Sobre a segurança nas ciclovias, Vieira explicou que cada trecho é analisado individualmente. “Sempre pensamos na forma mais segura possível. Em alguns casos, afastamos a ciclovia da via de carros, criamos calçadas largas. Em outros, precisamos de soluções diferentes”, disse.
O secretário também citou outras frentes da pasta, como regularização fundiária, programas habitacionais e uso de tecnologia. Entre as ferramentas está o sistema GeoSuzano. “É uma ferramenta que integra dados territoriais e contribui para a modernização administrativa e para qualificar a tomada de decisões”, afirmou. Ele também mencionou o uso de inteligência artificial como apoio ao planejamento.