Otimismo, pessimismo, bom humor e mau humor
Quais são os limites para manter a saúde mental equilibrada?
Em tempos marcados pela correria do cotidiano, que levam a uma preocupação maior com a saúde mental, alguns sentimentos e comportamentos como pessimismo, mau humor, e até bom humor e otimismo, quando em excesso, podem impactar significativamente o dia a dia. O alerta é da psicóloga Irani Silva, do Centro Clínico (CC) da Hapvida em Mogi das Cruzes (SP).
Segundo a profissional, a psicologia enxerga o ser humano de forma integrada, acreditando, portanto, que comportamento e emoções andam juntos, sendo um o reflexo do outro. Nesse sentido, algumas emoções em excesso podem estar associadas a quadro clínicos e, para esses casos, é importante buscar ajuda profissional.
“Quando padrões como pessimismo, otimismo excessivo, mau humor ou alterações emocionais persistem por semanas ou meses e começam a causar prejuízos na vida pessoal, social ou profissional, é hora de buscar ajuda. Também é importante buscar acompanhamento quando esses padrões afetam decisões importantes, geram sofrimento significativo ou quando a pessoa sente dificuldade para lidar com a situação sozinha”, aponta a psicóloga da Hapvida.
Segundo Silva, após a pandemia, foi possível perceber um aumento na procura por terapia e nos casos de ansiedade e depressão, além de padrões emocionais mais rígidos, como pessimismo constante ou otimismo forçado, diante das pressões da vida e do trabalho. Diante disso, o acompanhamento de um profissional de saúde mental pode auxiliar, entre outros aspectos, na compreensão de padrões antes que eles se intensifiquem, promovendo prevenção e cuidado emocional.
A profissional detalha alguns desses padrões, que, embora não sejam diagnósticos isolados, podem estar associados a questões problemáticas que necessitem de acompanhamento.
Excesso de otimismo
Para Irani Silva, uma das principais características de pessoas com excesso de otimismo é não saber recuar, tendo a impulsividade como combustível. “É a pessoa que compra um carro devendo no cheque especial e não se incomoda achando que tudo vai dar certo no final”, explica.
Segundo a profissional, essas pessoas não buscam orientação, o que pode trazer prejuízos para a família e os amigos mais próximos. “A perda da flexibilidade gerada pela impulsão traz consequências muito desagradáveis. Esse pensamento de que vai dar tudo certo, de que não é preciso se preocupar que algo vai aparecer... Ou, às vezes, é uma pessoa que perde o emprego, está com contas acumulando, mas insiste, ao mesmo tempo, em não atualizar o currículo, não procurar novas oportunidades e evita conversar sobre a situação”, exemplifica.
Para Silva, esses são exemplos de comportamentos que podem revelar alguém que não está sendo otimista, e sim, na verdade, negando a própria realidade e deixando de agir.
Excesso de bom humor
Nesses casos, a fuga também se destaca. Segundo a psicóloga, é um comportamento que pode levar a um isolamento social diante de questões complexas, como a perda de um ente querido.
“Trata-se de uma defesa emocional. A pessoa não quer entrar em contato com a circunstância porque não quer sentir, e acaba assumindo um comportamento sempre divertido, falando de realidades positivas”, afirma.
Excesso de pessimismo
No caso dos pessimistas em excesso, Silva explica que essas pessoas costumam manifestar uma negação da realidade como forma de prevenção aos possíveis percalços da vida. “É uma zona de conforto achando que nada vai acabar bem para evitar eventuais aborrecimentos futuros. Precipitadamente, a conclusão é de que nada acaba bem”, comenta.
Excesso de mau humor
O mau humor em excesso é um dos quadros mais difíceis de diagnosticar, segundo Silva, já que o humor é geralmente afetado pela rotina e por fatores cotidianos como a falta de sono, cansaço emocional, estresse, questões familiares, excesso de fumo e álcool, entre outros.
A psicóloga reforça que a terapia é o melhor caminho para as pessoas se conhecerem melhor e aprenderem a lidar com as próprias características. “Ela não vai eliminar essas características, mas desenvolver flexibilidade psicológica e capacidade de adaptação emocional às situações da vida”, conclui.