Acolhimento no frio é reforçado, mas vagas ainda não cobrem demanda
Prefeituras intensificam abordagens sociais, distribuem cobertores e mantêm ao menos 13 abrigos com mais de 310 vagas na região
Com a chegada das baixas temperaturas, municípios do Alto Tietê intensificam ações de acolhimento e assistência voltadas às pessoas em situação de rua. Levantamento realizado junto às prefeituras aponta que a região mantém ao menos 13 unidades de acolhimento, que somam mais de 310 vagas para atendimento. Suzano, Mogi das Cruzes, Itaquá e Santa Isabel divulgaram números oficiais ou estimativas, que concentram mais de 500 pessoas em situação de rua.
Em Suzano, a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social informou que as abordagens realizadas pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) são reforçadas todos os anos durante o período de frio, especialmente em locais onde há concentração de pessoas em situação de rua. Além de acolhimento, equipes distribuem cobertores e mantas para aqueles que recusam ir aos abrigos.
Segundo a pasta, os acolhidos têm acesso a acompanhamento regular de assistente social, alimentação, local para dormir, banho e encaminhamento ao sistema de saúde e a outros serviços públicos. Os abrigos contam com roupas em bom estado e rotinas organizadas para garantir melhor acomodação aos usuários.
Atualmente, a cidade possui capacidade para acolher 80 pessoas por meio de convênio entre a prefeitura e instituições. As vagas estão distribuídas entre o Centro Social Bom Samaritano, localizado na rua General José Galetti, 12, no Jardim Nazareth, e a Casa de Passagem, na rua Dr. Ademar Pereira de Barros, 450, no Parque Maria Helena. Ambos os espaços atendem homens e mulheres. A prefeitura informou ainda que, caso haja necessidade, os dois locais podem ampliar temporariamente a capacidade para evitar que pessoas fiquem desassistidas. O número oficial aponta 193 pessoas em situação de rua no município, embora a pasta ressalte que o dado é flutuante.
Já em Mogi das Cruzes, a prefeitura informou que mantém durante todo o ano seis unidades de acolhimento institucional, somando 158 vagas. A Operação Inverno 2026 deve ser lançada oficialmente em 1º de junho, mas as equipes já estão em estado de atenção por conta da antecipação do frio.
O município estima cerca de 250 pessoas em situação de rua, sendo que mais da metade está acolhida em unidades mantidas pela administração municipal. Além dos abrigos, a cidade conta com o Centro POP, equipes do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) e atendimento via WhatsApp para solicitações da população pelo telefone (11) 9 9827-0909.
Em Poá, a prefeitura informou que possui um abrigo para atendimento à população em situação de rua, localizado na Vila Açoreana. O número de vagas e a quantidade oficial de moradores em situação de rua não foram informados.
O abrigo oferece pernoite, alimentação com cinco refeições diárias, banho, oficinas e suporte para animais de estimação das pessoas acolhidas. A administração municipal destacou ainda que as abordagens sociais foram intensificadas desde o início de maio, quando as temperaturas começaram a cair. Segundo a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, as equipes atuam 24 horas e realizam encaminhamentos integrados com áreas como saúde, geração de renda e segurança pública. O município também prepara o lançamento da Campanha do Agasalho 2026 e da segunda edição do Mega Bazar Social, ambos serão divulgados nos próximos dias.
Ferraz informou que possui um abrigo por meio do Serviço de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias (SAIAF), localizado na região central da cidade. O espaço conta com 30 vagas permanentes para atendimento e, durante períodos de frio intenso, outras dez vagas extras são disponibilizadas para pernoite, totalizando 40 vagas.
Segundo a administração municipal, todas as segundas-feiras as equipes de abordagem social realizam ações em pontos estratégicos da cidade para orientação, encaminhamentos e oferta de acolhimento às pessoas em situação de vulnerabilidade. O município não informou o número oficial de moradores em situação de rua.
Itaquá também informou que intensificou as ações de proteção às pessoas em situação de rua durante o período de frio. Desde julho de 2024, o Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) realiza atendimentos nas ruas com encaminhamento para acolhimento, apoio social e distribuição de itens essenciais. Com a Operação Noites Frias, as equipes ampliaram as abordagens noturnas, distribuindo cobertores, roupas de inverno, chá, chocolate quente e kits de higiene, além de orientar e encaminhar as pessoas para o acolhimento municipal.
O município conta com o Serviço de Acolhimento para Adultos e Famílias, que funciona 24 horas e terá ampliação de 20 vagas durante o inverno. O Centro POP também oferece alimentação, banho, roupas limpas e apoio psicossocial. Não foi informado a capacidade total de ambos os locais.
Segundo a prefeitura, os registros de abril apontaram 184 pessoas atendidas pelo Centro POP, incluindo moradores de outros municípios, sendo que 26 permaneceram acolhidas. Atualmente, a cidade estima cerca de 66 pessoas em situação de rua. A administração destacou ainda que parte delas recusa encaminhamento para os abrigos, mesmo durante o frio intenso, e nesses casos as equipes realizam entregas de cobertores.
Em Santa Isabel, a assistência social informou que também intensificou as abordagens sociais durante o frio, além da distribuição de cobertores para pessoas que recusam acolhimento na casa de passagem do município.
A cidade possui um abrigo com capacidade para 16 pessoas. Segundo a prefeitura, existem aproximadamente dez moradores em situação de rua na cidade, além de um número flutuante de itinerantes que passam pela cidade, pernoitam e seguem viagem.
Já em Guararema, a prefeitura informou que intensificou as abordagens sociais por meio das equipes do Creas, como foco na oferta de proteção e acolhimento diante da queda das temperaturas. O município está realizando aquisição de cobertores para atender demandas emergenciais identificadas durante as abordagens. A prefeitura informou que não disponibiliza abrigos, mas oferece passagens para deslocamento de pessoas em situação de rua, visando possibilitar acolhimento junto a familiares ou em casas de passagem, conforme avaliação técnica e manifestação de interesse do usuário.
As prefeituras de Arujá, Biritiba e Salesópolis não responderam até o fechamento desta matéria.