Mulher encontrada morta em Mogi recusou abrigo e atendimento, diz secretária
Homem foi encontrado morto no dia anterior; os dois eram assistidos pela rede socioassistencial
A mulher de 44 anos encontrada morta na manhã desta quinta-feira (25), na região central de Mogi das Cruzes, recusou acolhimento, atendimento em equipamentos municipais e até o retorno para casa horas antes de ser encontrada sem vida. A informação foi confirmada pela secretária Municipal de Assistência Social, Daniela Mariano, que detalhou o acompanhamento realizado pela equipe de abordagem e afirmou que tanto ela quanto o homem de 44 anos encontrado morto no dia anterior eram assistidos pela rede socioassistencial.
Segundo a pasta, os dois casos têm como ponto em comum a dependência química, considerada um dos principais desafios no atendimento à população em situação de vulnerabilidade.
Daniela explicou que, apesar de ter sido encontrada vivendo nas ruas há cerca de seis meses, a mulher não era considerada uma pessoa em situação de rua permanente. Segundo ela, a moradora possuía residência, familiares e vinha sendo acompanhada pelos serviços municipais, mas permanecia nas ruas devido ao alcoolismo.
De acordo com a secretária, nos dias que antecederam a morte, equipes da abordagem social ofereceram encaminhamento para abrigo, atendimento no Centro POP e até o retorno para a residência da família. Todas as alternativas foram recusadas. “Tentamos levá-la para um abrigo, para o Centro POP e até mesmo para a residência. Ela não aceitou. Ela dizia que preferia permanecer na rua”, afirmou. Ainda conforme a pasta, a mulher havia sido diagnosticada com tuberculose e chegou a ser internada na rede municipal de saúde, mas solicitou alta antes da conclusão do tratamento.
Segundo a secretaria, a mulher costumava dizer que permanecia nas ruas porque conseguia dinheiro para comprar bebidas alcoólicas e pagar hospedagens de baixo custo durante algumas noites.
Outro caso ocorrido na quarta-feira (24), onde um homem de 44 anos foi encontrado morto também na região central, a secretaria informou que ele era do interior de São Paulo e passou a viver nas ruas após conflitos com seus familiares, moradores de Mogi, relacionados ao abuso de drogas.
Conforme a pasta, ele recebeu aproximadamente 400 atendimentos da rede municipal ao longo do tempo que esteve nas ruas da cidade e ocupou vagas fixas em serviços de acolhimento por três vezes, mas abandonou os locais em razão da dependência química. No dia anterior à morte, ele esteve na Casa de Passagem, porém não retornou para utilizar a vaga disponível na noite seguinte. A secretária ressaltou que a legislação não permite o acolhimento compulsório de pessoas adultas.
Segundo ela, a função da assistência social é realizar abordagens, orientar e oferecer os serviços disponíveis, cabendo ao cidadão decidir se aceita ou não o atendimento.