Editorial

A tecnologia está de olho

17 JUL 2026 • POR editoracao • 05h00

A tecnologia já está de olho no trânsito. Desde o início deste mês, câmeras equipadas com inteligência artificial passaram a ser utilizadas para identificar infrações e auxiliar na fiscalização nos trechos Sul e Leste do Rodoanel. Antes mesmo do início das autuações, o sistema já havia registrado milhares de veículos cometendo irregularidades.
O DS trouxe uma matéria completa sobre o assunto na edição desta quinta-feira (16).
O número chama atenção não apenas pelo avanço tecnológico, mas pelo comportamento que ele revela. Em pouco mais de um mês, foram 7.297 veículos flagrados cometendo infrações. A quantidade mostra que, enquanto a tecnologia evolui rapidamente, uma parte dos motoristas ainda insiste em tratar as regras de trânsito como sugestões.
A inteligência artificial pode identificar uma conduta irregular com rapidez e precisão. Pode ampliar a fiscalização e ajudar a reduzir a sensação de que determinadas infrações passam despercebidas. Mas a tecnologia também coloca uma questão diante de todos os motoristas: se antes era possível acreditar que ninguém estava vendo, agora essa desculpa fica cada vez mais difícil de sustentar.
O debate, porém, não deve se resumir ao medo da multa. Respeitar as regras de trânsito deveria ser uma escolha feita antes da existência de uma câmera, de um radar ou de qualquer outro mecanismo de fiscalização. O cinto de segurança não deveria ser usado apenas quando há fiscalização. O celular não deveria ser deixado de lado apenas quando existe o risco de uma autuação. A velocidade não deveria ser respeitada apenas quando um equipamento pode registrá-la.
Segundo dados trazidos pelo DS, 45,7% das infrações foram de condutores sem cinto, 26,8% dos passageiros sem cinto e 18,8% de motoristas utilizando o celular.
A tecnologia pode ser uma importante aliada do poder público. Pode ajudar a fiscalizar mais, identificar infrações e tornar o trânsito mais seguro. Mas nenhuma câmera, por mais moderna que seja, substitui a consciência de quem está ao volante.
Se a inteligência artificial está cada vez mais preparada para observar o trânsito, talvez seja hora de os motoristas também prestarem mais atenção às próprias atitudes. Afinal, a fiscalização pode até estar ficando mais inteligente. O comportamento de quem dirige também precisa evoluir.