3ª Feira Ciranda ProAC reúne artesanato, cultura e protagonismo femininon no Alto Tietê
Com exposição, apresentações musicais, oficina, recreação infantil e produtos de artesãs da região, o evento marca a culminância do projeto de formação voltado a mulheres fazedoras de trabalhos manuais
No sábado, dia 11 de julho, a partir das 11 horas da manhã, a rua Professor Flaviano de Melo será um espaço ocupado pela cultura, reunindo, em um único lugar, artes plásticas, música, artesanato, oficinas e a concretização de muitos sonhos. Neste dia acontece a 3ª Feira Ciranda ProAC- Projeto Feira de Artesanato Tradicional e Programa de Capacitação Profissional para Mulheres da Região do Alto Tietê.
O evento faz parte do Projeto Feiras e Capacitação de Mulheres Artesãs do Alto Tietê, que teve início em janeiro deste ano e atendeu trinta mulheres fazedoras de trabalhos manuais da região do Alto Tietê, oferecendo, nos meses de fevereiro, março e abril, capacitação profissional, além de mentorias para as participantes. O Projeto Feira de Artesanato Tradicional e Programa de Capacitação Profissional para Mulheres da Região do Alto Tietê é realizado por meio do Termo de Execução Cultural nº 891/2025, celebrado no âmbito do Edital Fomento CultSP – PNAB nº 17/2024 – Fortalecimento dos Saberes e Fazeres Artesanais, um programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, executado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
Mais que uma possibilidade de crescimento profissional, as artesãs que participaram do projeto enxergam nele um espaço de afeto, empoderamento, aprendizagem, autonomia e geração de renda. Para a artesã Miriam Bonifácio, poder colocar em prática tudo o que aprenderam durante as oficinas é gratificante.
“É uma construção mesmo, da gente tentar sair da nossa caixinha e conquistar os territórios, porque é tentando que a gente consegue. Hoje tenho muita gratidão de estar aqui, de participar, de ver outras mulheres expondo também. É maravilhoso”, celebra.
A programação do evento traz a exposição artística OÎMORÃ KUNHANGUÉ IMAREYWY OUTUKUPEPY OGUEREKO, da educadora, pesquisadora de culturas regionais, MC, artista visual, artesã e brincante Sarah Key. Em sua pesquisa, materializa suas expressões e visão de mundo, fruto de sua vivência com a pixação em paralelo com as itaquatiaras, trazendo as línguas maternas e as práticas regionais como nossa leitura ancestral.
A parte musical fica por conta da DJ SENSITAI, conhecida por atuar na cena underground mogiana, e que traz em seus sets ritmos como reggae e hip hop, valorizando a presença feminina na cena. O samba tomará conta do espaço a partir das 15 horas, com STÉ Oliveira e Banda. A cantora é amplamente conhecida como uma das grandes intérpretes de samba-enredo paulista e por sua atuação no Carnaval. Já dividiu palco com artistas conhecidos do grande público, como Arlindinho, Luedji Luna, Liniker, Jotapê e Marquinhos Sensação.
A partir das 12h30 acontecerá a Oficina de Filtro dos Sonhos, com Vanessa Servo. As senhas para participar da oficina devem ser retiradas com 30 minutos de antecedência. Além disso, serão comercializados itens de artesanato, moda, produtos da agricultura familiar do Alto Tietê e a Botecada da Ciranda, garantindo comes, bebes e bons drinks.
Para garantir a tranquilidade das mães, o espaço contará ainda com recreação infantil com monitoria, visando criar um ambiente acolhedor, com respeito e atenção às diferentes infâncias. Assim como a gratuidade de todo o projeto, foram prioridades mulheres negras periféricas e PCDs. A equipe técnica recebeu treinamento sobre acessibilidade e inclusão.
“ Chegar a esta etapa do projeto representa a concretização de um trabalho construído ao longo de meses. Não se trata apenas da realização de uma feira, mas do resultado de um processo de formação, acompanhamento e fortalecimento das participantes. Ao longo deste ano, as artesãs tiveram acesso a capacitações, mentorias e espaços de troca de experiências, o que contribuiu para ampliar seus conhecimentos sobre gestão, comercialização, comunicação e valorização do seu fazer artesanal. A Ciranda tem um papel fundamental nesse processo porque oferece muito mais do que um espaço de exposição e venda. Ela cria oportunidades para que mulheres empreendedoras fortaleçam sua autonomia econômica, ampliem suas redes de contato, compartilhem saberes e ocupem os espaços públicos por meio da cultura. Quando essas mulheres conseguem transformar seus conhecimentos e talentos em geração de renda, toda a economia criativa da região é fortalecida. Além disso, a Ciranda demonstra que investir na cultura e no artesanato é investir no desenvolvimento local. Os recursos circulam no próprio território, incentivam novos empreendimentos, valorizam os saberes tradicionais e contribuem para que essas mulheres sejam reconhecidas como produtoras de cultura, agentes econômicas e protagonistas de suas próprias trajetórias”, celebra Ana Paula do Amaral, uma das idealizadoras do projeto.