Cidades

Rede suzanense de ensino oferece estrutura especial para garantir aprendizado de crianças cegas

Livros em braile, materiais didáticos em relevo, jogos pedagógicos táteis, recursos sonoros e computadores com softwares leitores de tela são recursos ofertados nas escolas

12 AGO 2026 • POR de Suzano • 15h49
Livros em braile, materiais didáticos em relevo, jogos pedagógicos táteis, recursos sonoros e computadores com softwares leitores de tela são recursos ofertados nas escolas - Mauricio Sordilli/Secop Suzano

O trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação para implementar políticas inclusivas na rede de ensino suzanense conta com uma ampla estrutura que disponibiliza a pessoas cegas e com baixa visão recursos proporcionados pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE), que utiliza livros em braille, materiais didáticos em relevo, jogos pedagógicos táteis, recursos sonoros e computadores com softwares leitores de tela para garantir o aprendizado.

Com esses recursos, as crianças conseguem manter a mesma evolução do aprendizado em relação às outras, já que as ferramentas de acessibilidade e as adaptações curriculares são garantidas, propiciando que os estudantes com deficiência visual desenvolvam suas habilidades cognitivas e pedagógicas de forma plena, alcançando os objetivos previstos para sua faixa etária.

Para esse público, o processo de alfabetização acontece de forma paralela àquele proporcionado às demais crianças, mas mantendo o alinhamento quanto à base metodológica e aos objetivos de alfabetização. 

A diferença está nos canais de percepção visual e auditiva: enquanto a criança vidente aprende muitas atividades por meio da observação e da imitação se alfabetiza pelo sistema visual, a criança cega utiliza o sistema tátil (sistema braile) e auditivo (softwares leitores de tela), com o professor regente fazendo pequenos ajustes nas estratégias para garantir que o conteúdo seja acessível.

A equipe multiprofissional que proporciona esse atendimento é composta por Agentes de Apoio à Inclusão (AAIs), que acompanham o estudante em tempo integral na sala regular e no cotidiano escolar; professores do AEE, que atuam na sala de recursos multifuncionais no contraturno e atendem estudantes cegos e com baixa visão; e ainda instrutores de Braile e especialistas em deficiência visual, que realizam o assessoramento técnico e pedagógico nas escolas.

As unidades que têm alunos cegos matriculados apresentam adaptações para garantir mais comodidade para eles. Além do mobiliário e dos recursos individuais, incluindo reglete, punção, plano inclinado e cadernos adaptados, as unidades escolares passam por adequações arquitetônicas progressivas, que incluem a instalação de pisos táteis de alerta e direcional, rampas de acesso para garantir a mobilidade segura. 

Atualmente, a rede municipal atende dez estudantes com deficiência visual, sendo dois com cegueira total e oito com baixa visão. Para estudantes com baixa visão, são oferecidos textos ampliados, cadernos com pautas escuras (com o espaçamento entre as linhas maior do que o de um caderno convencional e com as pautas mais marcadas), planos inclinados e lupas (manuais).

A rede dispõe de livros didáticos adaptados em braille fornecidos pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). Os estudantes recebem o kit do PNLD Inclusivo correspondente ao seu ano escolar, sendo que o quantitativo exato de volumes varia conforme o ano de escolaridade e a grade curricular da etapa de ensino.

A secretária Renata Priscila Magalhães destacou que o trabalho voltado às pessoas cegas e com baixa visão garante o que elas precisam para se desenvolver da maneira adequada. “Temos equipe e recursos especializados para promover o acompanhamento necessário. Toda essa estrutura mantém o processo do aprendizado preservado a partir do suporte que é oferecido”, ressaltou a titular da pasta.

Por sua vez, o prefeito Pedro Ishi ressaltou que a educação inclusiva é um compromisso permanente da administração municipal. “Nosso objetivo é garantir que todas as crianças tenham acesso a uma educação de qualidade, com respeito às suas necessidades e potencialidades. Investir em recursos de acessibilidade, na formação de profissionais e na adaptação dos espaços escolares é assegurar que os estudantes com deficiência visual tenham as mesmas oportunidades de aprendizado, desenvolvimento e participação na vida escolar. Estamos construindo uma rede cada vez mais inclusiva, acolhedora e preparada para promover a igualdade de oportunidades”, afirmou.