Cidades

Lordello relembra resgate de bebê abandonada em caixa de sapato

Ocorrido em 1996, o caso mobilizou autoridades e dezenas de famílias interessadas na adoção da criança

15 AGO 2026 • POR Danielly Miguel - da Reportagem Local • 07h00
JORGE LORDELLO Lembrou caso de 1996 - Regiane Bento/Arquivo DS

Um dos casos mais marcantes da trajetória do ex-delegado Jorge Lordello em Suzano ocorreu em 1996, quando uma recém-nascida foi encontrada abandonada dentro de uma caixa de sapato, sobre o muro de uma residência, na região do Jd. Imperador, durante uma madrugada de intenso frio. Em entrevista ao DS, Lordello relembrou o resgate da bebê, a mobilização para garantir atendimento médico e o desfecho da história, que terminou com a adoção da menina por uma família após um processo conduzido pela Justiça.


Lordello contou que estava de plantão na Delegacia de Suzano quando recebeu uma ligação informando que uma caixa de sapato havia sido deixada sobre o muro de uma casa e que, dentro dela, havia um bebê. "Quando chegaram ao local, a menina ainda estava na caixa de sapato. Ela estava com o cordão umbilical cortado. Pegamos a criança imediatamente e a levamos para a Santa Casa de Suzano, onde foi internada na UTI", relembrou.


Segundo ele, a recém-nascida apresentava complicações provocadas pela exposição ao frio intenso da madrugada. Após receber os primeiros atendimentos na Santa Casa, a bebê foi encaminhada para um hospital particular para dar continuidade ao tratamento. Depois da recuperação, ela foi levada para a Casa do Menor, antigo lugar de acolhimento de crianças e adolescentes.


Sensibilizado com a situação, o ex-delegado acompanhou de perto o caso e participou da campanha para encontrar uma família para a criança.


A história ganhou grande repercussão na época após ser publicada na primeira página do Diário de Suzano.

De acordo com Lordello, a reportagem fez com que dezenas de casais procurassem o Fórum de Suzano interessados em adotar a menina. "O Diário divulgou o caso na primeira página e dezenas de casais procuraram o fórum para a adoção", afirmou.


O processo de adoção seguiu os trâmites legais. Conforme explicou Lordello, o Judiciário realizou uma triagem dos candidatos, avaliando critérios sociais, familiares e econômicos. Na etapa final, restaram poucos casais habilitados.


Um casal de amigos de Lordello acabou sendo escolhido pela Justiça para adotar a criança. O ex-delegado revelou que se tornou padrinho da menina e manteve contato com a família ao longo dos anos.


Hoje, 30 anos depois, a jovem vive em Campos do Jordão com o pai adotivo. A mãe adotiva faleceu há alguns anos em decorrência de uma doença.


A identidade da mãe biológica nunca foi descoberta e o abandono não foi esclarecido. Ainda assim, para o ex-delegado, o caso representa uma das histórias mais marcantes de sua carreira em Suzano. "Ela teve um final feliz. Está com a vida feita, mora com o pai adotivo e seguiu sua vida", concluiu.