Polícia

Famílias bolivianas denunciam exploração trabalhista em fábrica de costura de Itaquá

Relatos falam sobre jornada de trabalho desde o início da manhã até às 22h e cerca de dois meses sem pagamento

28 AGO 2026 • POR Yasmin Torres - da Reportagem Local • 12h02
Famílias bolivianas denunciam exploração trabalhista em fábrica de costura de Itaquá - Divulgação/Prefeitura de Itaquaquecetuba

A Guarda Civil Municipal (GCM) de Itaquaquecetuba encontrou, nesta quinta-feira (27), uma fábrica de costura em situação de exploração trabalhista e condições insalubres. Um casal e uma mulher de origem boliviana procuraram a GCM para contar sobre a jornada de trabalho que vai desde o início da manhã até às 22h e sobre ficarem cerca de dois meses sem pagamento.

Segundo a Prefeitura de Itaquá, o casal conduziu os agentes até o local onde trabalhavam. Uma das mulheres que teria realizado a denúncia conseguiu deixar o endereço após perceber o sistema de trabalho.

No imóvel, foram encontradas outras famílias de origem boliviana, incluindo adultos e crianças, que, segundo os relatos colhidos inicialmente, estariam trabalhando na confecção de peças de vestuário. Os trabalhadores estão no Brasil há menos de dois anos e relataram terem sido atraídos por anúncios de vagas divulgados pelas redes sociais, com promessa de salário de aproximadamente R$ 5 mil.

Entre as pessoas encontradas havia uma mulher grávida, com aproximadamente seis meses de gestação. Segundo o relato apresentado aos agentes, ela teria conseguido ir ao médico apenas uma vez durante a gravidez. 

Ainda, as famílias contaram sobre dificuldades para aquisição de itens básicos, como leite e fraldas. Também foi relatado que uma das responsáveis pelo local permanecia com a chave do imóvel, dificultando a saída dos trabalhadores.

De acordo com a Prefeitura, o espaço apresentava condições precárias de higiene, com sujeira acumulada, restos de alimentos e comida estragada na geladeira, além de banheiros e cômodos em condições inadequadas de limpeza e organização. O ambiente foi preservado pela GCM para a realização da perícia e demais providências das autoridades competentes.

As famílias foram acolhidas inicialmente na base da Guarda Civil Municipal, onde receberam alimentação e atendimento. Posteriormente, foram conduzidas à Polícia Federal para os encaminhamentos necessários e apuração da situação.

A ocorrência será investigada pelos órgãos competentes, que deverão verificar as condições de trabalho, moradia e eventual violação de direitos dos trabalhadores.