Polícia faz operação no Alto Tietê, SP e RJ contra quadrilha que fraudava financiamento público
Cerca de 80 policiais foram mobilizados em São Paulo, incluindo Suzano e Mogi das Cruzes, e o Rio de Janeiro para a segunda fase da Operação Avaritia, que investiga irregularidades entre 2021 e 2022
A Polícia Civil de São Paulo realizou, nesta quinta-feira (3), a segunda fase da Operação Avaritia, que apura fraudes ocorridas entre 2021 e 2022 por grupo criminoso que usava esquema para obter financiamentos junto à Desenvolve SP. As investigações tiveram início após denúncia da agência de fomento do Governo do Estado de São Paulo, que rastreou irregularidades em operações realizadas durante o período de pandemia. O prejuízo com as fraudes pode chegar a R$ 70,4 milhões.
A operação, conduzida pelo Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro (NECCOLD), Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo (Deinter-2), cumpre 22 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
A ação contou com a participação de 27 viaturas e cerca de 80 policiais civis e tem como objetivo confiscar documentos, equipamentos eletrônicos e demais elementos probatórios sobre o esquema fraudulento, além de identificação de beneficiários dos recursos obtidos e rastreamento patrimonial dos envolvidos. Ações aconteceram em São Paulo, incluindo Suzano e Mogi das Cruzes, e no Rio de Janeiro.
Avaritia 1
As investigações sobre o esquema fraudulento tiveram início em janeiro de 2022 com uma denúncia recebida pela Ouvidoria da Desenvolve SP, que foi averiguada pela agência de fomento e levada ao Ministério Público.
As investigações identificaram uma organização criminosa estruturada em Campinas, que usava pelo menos três empresas laranjas e falsos balanços financeiros para obtenção fraudulenta de financiamentos da Desenvolve SP.
A quadrilha se aproveitou de um contexto excepcional durante a pandemia, quando houve uma expansão emergencial do crédito para atender empresas que enfrentavam dificuldades e a transição para o trabalho remoto.
Assim que começaram as investigações, a Desenvolve SP adotou providências imediatas para investigação, mitigação de danos e fortalecimento dos controles internos.
Em outubro de 2023 os agentes policiais cumpriram mandados judiciais e apreenderam carros, celulares, joias, computadores e documentos que foram periciados e contribuíram para o avanço das investigações, mantidas em sigilo.
As apurações internas também resultaram em medidas administrativas, incluindo o desligamento de cinco colaboradores com envolvimento nos fatos.
A Desenvolve SP implementou diversas ações após a identificação das fraudes, incluindo alteração da Política de Crédito; revisão da Política de Prevenção à Lavagem de Dinheiro; e treinamento específico sobre prevenção a fraudes.
Cronologia da Operação Avaritia
Janeiro/22
Desenvolve SP recebe, via Ouvidoria, a denúncia de suspeita de fraude em uma operação de crédito e inicia investigação interna que identifica outros casos semelhantes
Novembro/22
Ministério Público de São Paulo (MPSP) recebe Notícia de Fato. Banco Central e Controladoria Geral do Estado (CGE) também são informados sobre as apurações da agência.
Fevereiro/23
Desenvolve SP avalia que a quantidade de casos é relevante e pode haver participação de colaboradores. O Conselho de Administração cria um grupo de trabalho e um escritório para auditoria forense é contratado.
Julho/23
Desenvolve SP envia complemento de informações MPSP e faz denúncia no Conselho Regional de Contabilidade contra os contadores identificados na fraude.
Setembro/23
Desenvolve SP dá conhecimento dos fatos para auditor do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP.) Início dos processos administrativos disciplinares contra oito colaboradores
Outubro/23
Deflagração da 1ª fase da operação Avaritia pela Polícia Civil
Dezembro/23
Nova denúncia contra colaborador por indícios de corrupção. Durante a apuração, verificou-se relação com o núcleo de fraudadores da operação Avaritia.
CGE é comunicada.
Inicia-se uma apuração interna com novo suporte de auditoria forense.
Fevereiro/24
Abertura de processo administrativo disciplinar contra o colaborador denunciado.
Desenvolve SP envia informações complementares para CGE e polícia civil.
Junho/24
Desligamento de 4 colaboradores suspeitos de envolvimento
Julho/24
Desligamento do colaborador alvo da denúncia de dezembro/23
Novembro/24
Envio de nova manifestação para o TCE
Setembro/26
Polícia Civil deflagra segunda fase da operação, cumprindo 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Rio de Janeiro.