Cidades

Fortes chuvas prejudicam produção de hortaliças

Sindicato diz que não há muito o que fazer além de adotar boas práticas de produção agrícola

23 SET 2026 • POR Yasmin Torres - da Reportagem Local • 06h00
PRODUTORES Usam técnicas para evitar prejuízos - Regiane Bento/Arquivo DS

A produção de hortaliças em Suzano registrou prejuízos de pelo menos 50% devido às chuvas nas três primeiras semanas de setembro. Segundo os produtores, as plantações mais afetadas são as de alface, coentro, crespa, couve e repolho. O Sindicato Rural de Suzano orienta os agricultores a manterem boas práticas de produção, controlarem os custos e evitarem novas dívidas bancárias. Para o produtor Giovani Pelegrim, a chuva afeta 100% da produção, desde o plantio e a colheita até a venda e o manuseio. "Para fazer a pulverização, aplicar veneno ou adubo, por exemplo, a chuva não dá trégua e não tem como trabalhar. A água fica minando no meio do canteiro e prejudica todo o processo", explicou.

Ele disse que já perdeu mais de 50% da produção de alface, mais de 60% do coentro e cerca de 50% da produção de crespa. "Estamos tendo prejuízo desde o fim de agosto. Já faz três semanas que não conseguimos plantar nada na horta", contou. Pelegrim completou dizendo que "a situação melhorou um pouco desde quarta-feira (16), mas ainda estamos trabalhando com muita dificuldade".

Agricultores usam técnicas para evitar mais perdas nas plantações 

Dentre as técnicas para desviar dos problemas, o produtor tem focado em drenos. "Estamos abrindo valetas para tentar evitar que a água fique acumulada e alague os canteiros. Também estamos priorizando o plantio de acelga, repolho e couve, que são produtos mais resistentes e demoram mais para estragar", disse.

Pelegrim destacou que as dificuldades não param, mas que não podem simplesmente parar as produções.

"Nós que dependemos da agricultura temos uma empresa a céu aberto. Estamos sujeitos ao clima o tempo todo. Se chove demais, temos um problema e se falta chuva, também temos. Não há como fechar a porta e esperar passar".

Umidade nas plantas

O produtor Cleiton Pires Pagels explicou ao DS como exatamente a chuva prejudica a produção dos alimentos. Ele deixou claro que o evento é necessário, mas que o problema está no excesso.

A questão começa com o solo encharcado e a geração de bactérias. "As folhas de alface, por exemplo, são sensíveis e quanto mais tempo ela permanece úmida, mais são as chances de ela quebrar ou se machucar. Quando isso acontece, abre uma oportunidade para a proliferação de bactérias", explicou.

Com a chuva constante, a umidade nas plantações ficam presentes por mais tempo que o comum. "Quando as bactérias entram na folha, ela começa a ficar com um aspecto queimado, preto", contou. Pagels pontuou ainda que "na primeira semana de chuva isso não aconteceu, mas a partir da segunda semana nós pudemos ver a plantação se deteriorando". O fim da degradação acontece com o retorno do sol. "Depois que ela já começou a estragar, o sol acaba sendo o último passo para danificar a folha. A planta já está sensível por ficar só na sombra, então quando há sol ela termina de apodrecer", disse o produtor. Na plantação de Pagels, ele estimou um prejuízo em torno de 80%. Os produtos mais afetados foram alface, couve, repolho e coentro.

O que diz o Sindicato Rural de Suzano 

O Sindicato Rural de Suzano esteve em reunião, nesta sexta-feira (18), para discutir os efeitos do El Niño na região do Alto Tietê, Vale do Paraíba e Litoral Norte. Para os agricultores, não há muito o que fazer além de adotar boas práticas de produção agrícola, porque, quando um fenômeno da natureza ocorre, não existem muitas alternativas viáveis para evitar os impactos.

Segundo o presidente do Sindicato, Ricardo Sato, as chuvas recentes são um prenúncio do que vem pela frente. "No restante do ano, os produtores vão precisar enfrentar condições climáticas semelhantes às que ocorreram no período de chuvas, que é típico do verão", explicou.

A orientação que o Sindicato dá aos produtores rurais do município é que tenham controle dos custos de produção, evitem fazer dívidas bancárias e mantenham as boas práticas de produção.