Colunista

Antiga Olaria do Sr. Faria na Fazenda Viaduto

18/09/2015 08:00


carmineFoi bem participada, a festa de Aniversário de Dona Dolores Peres Faria, realizada no domingo passado, 13 de setembro, na antiga e extinta olaria, de propriedade do falecido Sr. José Faria que era casado com Dolores. No rosto dela, podem –se contar algumas rugas, pelos seus 86 anos de vida, porém, tem tudo para ser uma bisavó dançarina. Descontraída e cheia de alegria, Dolores gosta de cantar, dançar e ser feliz. A história dela e de seu marido José Faria, é marcada não apenas pela olaria que iniciaram no sitio localizado na Fazenda Viaduto em Suzano, quase perto da outra olaria do Sr. Miranda e que encontra-se a 10 minuto do Rodoanel, recém construído, mas sobretudo pelos amores vividos entre eles e com seus 21 filhos, sendo 14 mulheres, 7 homens e mais 3 crianças adotadas, uma de seis meses e um casal de irmãos, que tinha um e dois anos. O que vou contar está fora de qualquer cogitação, esquema e estrutura social. Os partos dos 21 filhos foram todos normais, sem anestesia, sem internação no hospital e sem assistência médica. Todos aconteceram em casa, com o auxílio da parteira ou das filhas de 15 e 16 anos, menos o parto de Ivone, realizado no hospital, hoje casada com o empresário Hannibal e mãe de Junior, Gisele e Sibele, sendo esta, esposa de Dante, ex- atacante de vôlei da Seleção brasileira. Quatorze partos, foram realizados em São Paulo, na casa onde o casal vivia e sete no sitio, onde funcionava a antiga fábrica de tijolinhos. O casal comemorava com alegria a vinda ao mundo de novos filhos. Todas as dores do parto, suspiros e gemidos, Dona Dolores guardava em sua casa, tendo ao seu lado o marido, a parteira, quando conseguia chegar ao sitio, ou alguma das filhas. As noites no sitio, eram carregadas de escuridão. Não havia luz, mas carinhos, preces e orações. Três partos foram de gêmeos, sendo que três morreram, nos primeiros meses, após o nascimento. Explosão de vida, de luz, de amor, bem diferente do medo que os casais sentem hoje, em gerar mais de um ou dois filhos. O carinho e o calor da fogueira, esquentavam as noites de vento e de frio e a luz do luar, branca e bela prateava a noite, encantando o casal e os filhos. A bisavó Dolores, que não tardará muito, poderá se tornar tataravó, ri e recorda com lucidez as velhas histórias dos partos e solta um respiro profundo ao relembrar os filhos, que perdeu pela falta de vacinas. Durante o tempo que passei com ela, na festa de aniversário, contou que os filhos, no tempo inocente da infância, brincavam de roda e ajudavam os pais na fabricação dos tijolinhos, sem perder de vista a formação que recebiam na Escola, distante meia hora do sitio. A octogenária lembra, que Dona Viviane, esposa do Deputado Estevam Galvão de Oliveira, tinha 19 anos, quando começou a lecionar na escolinha da Fazenda Viaduto. Tanto a Dona Viviane, atual Vice-Prefeita, quanto a Dona Laiz, esposa do falecido Dr. João Roston, deram aula aos filhos de Dolores. Os dias de trabalho na olaria, eram dedicados a criar, moldar e formar com o barro os tijolinhos, chegando a fabricar quase 4.000 tijolos por dia. A fábrica fechou, quando José Faria faleceu, há quase 20 anos, sem poder curtir os frutos do seu trabalho com a esposa, os filhos, os netos e bisnetos. Dona Dolores, extraordinária no ser mãe de 24 filhos, não quebrou ainda nenhuma de suas asas de liberdade. É uma menina livre, esportista, pequena, franzina, rosto de camponesa, com passos firmes e pés decididos a caminhar do sitio até o Centro de Suzano, como fazia anos atrás, percorrendo os quilômetros que separavam a fábrica de tijolos, da cidade. É presença fiel no lar de seus filhos, disposta a servir, ajudar e festejar o aniversário de todos. É mulher da melhor raça espanhola, no caráter e no espírito, cheia de vida e de alegria.