Editorial

O drama do refugiados

19/09/2015 08:00


O drama dos refugiados da Síria traz uma comoção internacional e a comprovação de que é necessário tomar providências para resolver a situação. Nesta semana, reportagem da Agência Brasil mostrou que pelo menos 473 mil pessoas atravessaram, este ano, o mar Mediterrâneo para chegar à Europa, das quais perto de 40% são oriundas da Síria. O número é o dobro do registrado no ano passado, segundo cálculo da Organização Internacional das Migrações (OIM). Da Síria chegaram 182 mil pessoas, 38% do total, quando em 2014 os refugiados sírios na Europa representaram menos de 30% das entradas. De todas as pessoas que chegaram à Europa, 349 mil entraram pela Grécia, 121 mil pela Itália e duas mil pela Espanha. De acordo com os levantamentos da organização, pelo menos 2.812 pessoas morreram tentando a travessia pelo mar. O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Refugiados indicou que o número de mortos é superior a 2,9 mil. Joel Millman, porta-voz da OIM, explicou que a diferença dos números se deve, provavelmente, ao fato de esta organização contabilizar apenas as mortes ocorridas no mar, não incluindo as pessoas mortas no continente, após a travessia do Mediterrâneo. Millman afirmou que o mês de setembro registra, até agora, uma média de oito mortes por dia, de pessoas que tentavam atravessar o Mediterrâneo. A situação dos refugiados é complexa. É uma questão humanitária e de direitos humanos. Ontem, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, anunciou o início da instalação de uma barreira de arame farpado na fronteira com a Croácia para se proteger dos milhares de migrantes que pretendem alcançar a Europa Ocidental. A Croácia começou a encaminhar os migrantes que estão no seu território para a fronteira com a Hungria. A barreira vai ser instalada ao longo de 41 quilômetros de terra, acrescentou o primeiro-ministro. Os restantes 330 quilômetros de fronteira entre os dois países estão delimitados pelo Rio Drave, de difícil travessia. É importante que, sobretudo, os países mais ricos consigam adotar uma política conjunta para garantir uma solução para todos os refugiados da Síria. São trabalhadores, pais, mães que precisam de abrigo.