Editorial

Reorganização

30/10/2015 07:00


A polêmica da reorganização escolar em São Paulo atingiu todas as regiões. No Alto Tietê também ocorreram protestos contra o “fechamento” de escolas. O Estado diz que a ideia é fazer com que exista uma escola mais preparada para atender as demandas de cada etapa escolar e atenta à nova realidade de cada faixa etária. Com foco na melhoria da qualidade de ensino das escolas de São Paulo, o novo processo pretende ampliar o número de escolas divididas pelos três ciclos de educação: Ensino Infantil, Ensino Fundamental - Anos Iniciais e Anos Finais - e Ensino Médio. Com a nova proposta, os alunos do Ensino Médio, por exemplo, passarão a estudar apenas com estudantes deste segmento. O mesmo vale para os alunos dos ensinos Infantil e Fundamental. A reorganização é polêmica. Recentemente, em artigo recente na Folha de S.Paulo, a professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Sonia Kruppa, que chefiou o gabinete da secretaria de Educação do Estado na gestão Paulo Freire, afirma que "a população não é gado que se remove e se confina em espaços predeterminados. O passado nos faz descrentes de qualquer benefício à qualidade e à oferta da educação dessas medidas. Os jovens já se organizam e o movimento de contestação ganha as ruas. Reagir é preciso!". A medida teve início com base em levantamento realizado pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), que apontou tendência de queda de 1,3% ao ano da população em idade escolar no Estado de São Paulo. Entre 1998 e 2015, a rede estadual de ensino perdeu 2 milhões de alunos. A redução de nascimentos e, assim, do número de crianças e jovens em idade escolar no Estado é o principal fator para a queda de matrículas, seguido pela municipalização do Ensino Fundamental. A nova proposta de organização escolar passará a vigorar a partir do ano de 2016. No próximo dia 14, o Estado vai apresentar aos pais detalhes da mudança. O assunto é, sem dúvida, polêmico e requer que sejam analisadas todas as partes para que um consenso seja tomado sem prejudicar estudantes.