Editorial

Risco da microcefalia

24/11/2015 07:00


A microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça da pessoa é significativamente menor do que a de outros da mesma idade e sexo. A doença passou a ser de grande preocupação. Normalmente é diagnosticada no começo da vida e é resultado do cérebro não crescer o suficiente durante a gestação ou após o nascimento. Nesta semana, o governo federal anunciou que vai lançar uma campanha para informar e esclarecer a população sobre os casos de microcefalia que atinge estados do Nordeste. Até o último dia 17, 399 casos da doença em recém-nascidos foram notificados em sete estados da região, de acordo com boletim do Ministério da Saúde. A microcefalia afeta o crescimento adequado do cérebro do bebê. O assunto foi tema da reunião de coordenação política entre a presidenta Dilma Rousseff (PT) e 11 ministros, no Palácio do Planalto. Uma das hipóteses consideradas pelo Ministério da Saúde é que os casos de microcefalia estejam associado à ocorrência do Zika vírus em gestantes. Não há casos na medicina que comprovem a relação, mas pesquisas, entre elas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), constataram a presença do genoma do vírus em mães que tiveram bebês com microcefalia. O Zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue. Já é sabido que o Brasil vive uma emergência nacional em saúde. Centenas de crianças no Nordeste nasceram nos últimos meses com cérebros menores do que o normal. É a chamada microcefalia. O Ministério da Saúde teme que a doença se espalhe para o resto do País. Além da campanha, o governo brasileiro determinou a criação de um grupo interministerial, comandado pela Casa Civil, para estudar as medidas necessárias em outras pastas para controlar o surto de microcefalia. De acordo com o ministro, o governo poderá ampliar os investimentos no combate ao mosquito, por exemplo, e destinar recursos a outras ações para barrar o aumento de casos da doença. É preciso ajudar os municípios na tentativa de conter essa doença que passou a ser de grande preocupação. À frente das investigações no Ministério da Saúde sobre o aumento de casos no Nordeste de recém-nascidos com microcefalia - má formação do crânio que pode levar a sequelas-, o diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis, Cláudio Maierovitch, afirma que "o cenário pode ser pior do que se imagina".