Editorial

Violência que não cessa

19/01/2016 07:00


Os dados divulgados na edição de domingo pelo DS mostram uma violência contra a mulher que não para. As agressões continuam. A criação de uma Delegacia de Defesa da Mulher vem registrando os casos e tentando atuar de forma mais efetiva para garantir mais segurança às mulheres. Elas são vítimas de violência em seus próprios lares. Geralmente provocadas pelos próprios maridos ou companheiros. A partir do momento em que passam a ter um local para prestar queixa a situação fica mais evidente. Os registros aparecem mais e as providências poderão ser tomadas de forma mais direta. A reportagem do DS mostrou que nos cinco meses de funcionamento, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Suzano registrou 549 Boletins de Ocorrência (B.O.) de casos de violência contra a mulher em 2015, ou seja, cerca de 110 por mês. Deste total, 380 casos tiveram inquérito aberto. Conforme divulgado pelo DS, em outubro eram 264 ocorrências, e em dois meses, o número de atendimentos na unidade dobrou. Entre as ocorrências estão lesão corporal, calúnia, difamação e injúria, tentativa de homicídio, ameaças e estupro. O número de ocorrências foi maior que o esperado. A maior parte dos registros é de ameaças, com 215 boletins abertos e de lesões corporais, com 198 ocorrências. Foram computados também 54 casos de calúnia, 29 estupros e uma tentativa de homicídio. Os demais B.O.s são de atendimentos de pessoas de outros municípios, que foram transferidos, e ocorrências não criminais. A violência contra mulheres e meninas é uma grave violação dos direitos humanos. Seu impacto varia entre consequências físicas, sexuais e mentais para mulheres e meninas, incluindo a morte. Ela afeta negativamente o bem-estar geral das mulheres e as impede de participar plenamente na sociedade. A violência não tem consequências negativas para as mulheres, mas também para suas famílias, para a comunidade e para o país em geral. A violência tem ainda enormes custos, desde gastos com saúde e despesas legais a perdas de produtividade, impactando os orçamentos nacionais e o desenvolvimento global. Por tudo isso é importante que as autoridades tomem providências, venham garantir os direitos de cada uma delas de viver em segurança. Afinal é um direito importante que vai se avançando à medida em que as punições contra os agressores vai ficando, cada vez mais rígida.