Editorial

Cortes no orçamento

20/02/2016 07:00


No momento em que a crise financeira afeta todos os níveis de governo (municipal, estadual e federal), as ações para tentar equilibrar as finanças, muitas vezes, passam por cortes nos orçamentos. Muitas áreas acabam sendo afetadas. Ontem, o governo federal anunciou que o orçamento de 2016 será contingenciado em R$ 23,4 bilhões. O valor foi anunciado durante a apresentação da programação orçamentária e financeira do Poder Executivo para este ano. O número representa o valor definitivo para o corte. Antes, o governo havia limitado os gastos, provisoriamente, a R$ 15,4 bilhões até março. A medida chega em um momento de crise. Só para se ter uma idéia, a capacidade de produção da indústria do País caiu e, por tabela, houve queda no número de empregos gerados. O último levantamento sobre desemprego mostra que houve salto 41,5% em um ano e atingiu 9,1 milhões de pessoas sem trabalho. O corte de gastos já vinha sendo anunciado. No último dia 12, a equipe econômica havia limitado os gastos obrigatórios no primeiro trimestre a 3/18 do estimado para 2016. Caso não houvesse corte, a despesa de janeiro a março totalizaria R$ 23,1 bilhões, o equivalente a 3/12 do orçamento total. Em um ano que começou com a economia crescendo pouco, inflação preocupante e juros de empréstimos subindo, para as empresas, nem sempre é possível aumentar a produção e, consequentemente, as vendas. As medidas de “aperto aos cintos”, tomadas pelo governo, preocupam empresários de todos os ramos e portes, e uma coisa é certa: é preciso ajustar o orçamento. A situação ainda depende de novas ações econômicas para gerar novos empregos. Porém, aparentemente simples, a tarefa de cortar gastos é muito mais complicada do que se possa imaginar. Nesses tempos de turbulência, manter o caixa azul torna-se uma tarefa bem complexa, segundo especialistas. Até mesmo o principal programa de investimentos do governo federal, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) terá corte de R$ 4,2 bilhões. Nesse momento, as medidas de austeridade são essas. É preciso colocar na prática também medidas para fazer o País crescer novamente e gerar empregos.