Cidades

Número alto de crianças trabalhando em feiras livres é alvo de polêmica

25/02/2016 08:00


O alto número de crianças trabalhando em feiras livres de Suzano é alvo de polêmica. Apesar de entenderem que o trabalho infantil é proibido por lei, os feirantes acreditam que é melhor elas estarem trabalhando do que nas ruas. Uma pesquisa divulgada, neste semana, apontou que 79% das crianças que estão em situação de trabalham infantil, exercem a função na feira. Outras 7% ficam em semáforos ou como flanelinhas. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. "Concordo que criança tem que estudar, mas dá pra fazer as duas coisas. Estuda em um período e trabalha no outro", afirmou a feirante Marines de Souza. Com o aumento da criminalidade e de jovens envolvidos com tráfico de drogas, os pais preferem que seus filhos estejam por perto para saber o que estão fazendo. Para o feirante Carlos Akira, se não prejudicar o estudo das crianças, aprender desde pequeno a trabalhar é melhor do que ficar na rua. "Se eu pudesse traria meus filhos para trabalhar aqui na barraca comigo, não vejo problema nenhum. Só não pode deixar de estudar. Trabalhar é importante, mas estudar também é", desabafou. Para o feirante Bento Marques de Jesus, o jovem que aprende desde cedo a batalhar será sempre recompensado. "Eu acredito que essa molecada tem que aprender a trabalhar desde criança mesmo. Não existe menor de idade, tem que aprender como é a vida. Foi assim comigo. Fui criado trabalhando na roça desde pequeno", contou. PESQUISA A pesquisa apontou o perfil das crianças que trabalham na cidade suzanense. Os dados revelam que 76% dessas crianças e adolescentes não participam de atividades de lazer. Outra informação relevante da pesquisa é de que 63% da população suzanense é contrária a prática. O trabalho infantil é toda forma de ocupação, a criança recebendo algum tipo de beneficio ou não. Com essa carga de trabalho o jovem e a criança, acabam sendo privados de fazer coisas que deveriam ser prioridades como frequentar escolas e se divertir. Com essa carga que não deveria fazer parte da vida de uma criança, os dados são conseqüências. Uma criança que exerce atividades inadequadas para sua faixa etária e estrutura óssea têm prejuízos tanto psicológico como físico, o que reflete em sérios problemas de saúde.