Editorial

Casa-trabalho

01/03/2016 08:00


O DS trouxe na edição de domingo reportagem mostrando que Suzano é a 9ª cidade do Estado onde o trabalhador perde mais tempo no trajeto de ida e volta entre sua casa e o trabalho. Em média, são perdidos 139 minutos. A cidade superou municípios como São Paulo, em que o operário leva cerca de 134 minutos; Guarulhos, em que a média é de 128 minutos, e Campinas, que tem uma média de 117 minutos gastos pelo trabalhador. Mas, há tempo aceitável para uma pessoa gastar se deslocando de casa para o trabalho por dia? Especialistas afirmam que isso depende do tamanho da cidade. Em cidades menores, o tempo razoável para gastar é de 10 a 20 minutos em cada trajeto. Em cidades com áreas metropolitanas grandes, o ideal seria gastar entre 20 e 30 minutos por viagem. Ou seja, gastar mais de uma hora por dia para ir para o trabalho é completamente contraproducente, excessivo, deteriora a qualidade de vida e causa ansiedade, porque o tempo das pessoas lerem, se informarem, se divertirem com a família lhes é roubado, fica perdido para sempre. Hoje, em São Paulo e no Rio há gente que gasta o dobro, o triplo disso. A pesquisa divulgada recentemente pelo Sistema Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) calculou quanto a pessoa deixa de produzir no período em que está se deslocando para o trabalho. Somente no município suzanense, o prejuízo é de mais de R$ 295,34 milhões. O número é menor do que no ano anterior, quando o prejuízo chegava a R$ 295,37 milhões. Os dados são referentes aos anos de 2012 e 2011 e consideraram três regiões metropolitanas: São Paulo, Campinas e Baixada Santista. O estudo aponta também que pelo menos 62,2 mil suzanenses gastam mais de 30 minutos para se deslocar ao trabalho. Isso demonstra que aproximadamente 22% da população está empregada em outros municípios. A pesquisa veio mostrar, talvez, a necessidade dese ter mais opções de transporte, ou a falta de postos de trabalho perto das casas dos suzanenses. Como foi mostrado, o tempo perdido encarece. Gera prejuízos financeiros, uma vez que o tempo perdido poderia ser utilizado para produzir.