Cidades

Sindicância é aberta para investigar morte de recém-nascido em Suzano

16/03/2016 08:01


A Prefeitura de Suzano abriu ontem sindicância para apurar se houve negligência profissional em relação à morte de um bebê que ocorreu, na última segunda-feira, na Santa Casa de Misericórdia. A menina teria nascido morta após a mãe permanecer por mais de 20 horas em trabalho de parto. Segundo a família, a maternidade da unidade de saúde teria adiado demais a cesariana na tentativa de realizar o parto normal o que levou ao óbito da criança. Após nove meses de gestação, em que a família descreve como tranquila, a pequena Gabriela era aguardada com alegria pelos seus pais, Joana e Vinícius de Camargo. Porém, o momento de alegria daria lugar à tristeza, pois o bebê tão esperado acabou por entrar em óbito após a mãe ficar aguardando atendimento médico no setor pré-parto da Santa Casa de Suzano. A família registrou Boletim de Ocorrência (B.O.) no Distrito Policial (DP) Central, como morte suspeita. “Ninguém entra em uma maternidade pensando que vai enterrar seu filho em seguida”, relatou o pai do bebê, Vinícius Camargo. A gestante deu entrada no hospital às 3 horas do último domingo, e o médico resolveu optar por uma cesariana somente por volta das 2h40 de segunda-feira. A família relatou que durante todo esse tempo, a gestante permaneceu sentindo dores. Segundo o pai do recém-nascido, que acompanhava a gestante, o médico plantonista não compareceu ao local nenhuma vez durante as horas em que sua esposa permaneceu no pré-parto. Afirmou também, que nem mesmo as enfermeiras davam o apóio necessário, e que apenas aplicavam soro para induzir o parto normal. "Durante todo o tempo minha filha dizia que não tinha mais forças. Uma das funcionárias ainda chamou a atenção dela dizendo que ela precisava ter força para empurrar", disse Maria Aparecida Santos da Silva, mãe da gestante, que revezava o acompanhamento da filha com o genro. Passado quase 24 horas desde a internação, por não aguentar o sofrimento da esposa, Camargo precisou procurar, novamente, a enfermeira-chefe para que algo pudesse ser feito. Somente, neste momento, ela foi conversar com o médico, que resolveu fazer a cesária. Todavia, durante o procedimento, constatou-se que o feto já estava morto. “Conversei com o pediatra que tentou reanimar minha filha e ele disse que se o parto tivesse sido feito meia hora antes, talvez ela estivesse viva agora”, ressaltou o pai. A Santa Casa emitiu guia afirmando que o bebê já havia nascido morto e dando causa da morte como "ignorada". O delegado de polícia solicitou exame necrocóspico ao Instituto Médico Legal (IML). O laudo completo sairá daqui a 60 dias. A mãe da criança permanece internada e deve ter alta ainda hoje. O pai conta que já guardou todas as coisas que eram da bebê para evitar sofrimento maior em sua esposa. “Já desmanchei o berço e guardei todas as roupinhas. Tudo para evitar que minha esposa chegue em casa e sofra ainda mais”. A família contou ainda que o procedimento de pré-natal foi perfeito, todos os exames foram feitos e que a chegada da criança foi bem planejada. “A minha esposa parou de trabalhar para engravidar. Nós realmente nos preparamos para esse momento”. Gabriela seria o primeiro filho do casal. O corpo da bebê foi enterrado, ontem, no Cemitério Municipal São João Batista. A família entrará com processo contra a Santa Casa por negligência. Segundo o advogado, Rogério Rodrigues da Silva, o primeiro passo será pedir a instauração de inquérito policial.